Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Foi conhecido o relatório das Nações Unidas sobre a situação da população mundial. Aconselho vivamente a sua leitura. Uma das conclusões é que, embora a população não afecte gravemente as mudanças climáticas, dava jeito que fôssemos menos. Se não estou em erro essa foi uma das soluções que também propuseram aquando das grandes fomes dos anos setenta em África e no Bangladesh. Mas há mais. As famílias de países desenvolvidos, apesar de terem menos filhos, geram mais gases para o efeito estufa do que as famílias numerosas mas habituais nos países subdesenvolvidos. Mas pode ser pior. Se a tal família do país desenvolvido se divorcia, é ainda mais grave, porque leva à constituição de dois lares, duplicando os gases. Suponho que quem fica com a tutela dos filhos é o menos amigo do ambiente. Outra genialidade é que as mulheres contribuem menos para o efeito estufa. Claro que para chegar a esta conclusão pesam muito as mulheres dos países pobres e agrícolas: não conduzem, comem menos, cozinham em casa. Por outro lado, são elas as mais prejudicadas com a mudança climática. E qual é a solução? A educação e o planeamento familiar. O perigo reaccionário desta solução é que percebam que o marido é uma besta e se divorciem, comprem carros e deixem de cozinhar em casa, o que aumentaria o seu contributo para a emissão de gases. O pior é que sugerem que os governos dos tais países pobres, que, lembro, são os menos poluentes, ponham um limite ao número de filhos. Pelo menos até que aprendam os mistérios da contracepção. O maravilhoso do relatório, apresentado sem que nenhum funcionário das Nações Unidas desatasse a rir, é não explicar como vão convencer as pessoas daqueles países pobres com alguma fominha atrasada que é melhor não terem filhos porque podem aumentar o efeito estufa. As Nações Unidas são o máximo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:22
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

A Dra. Brooke Magnati, uma cientista e investigadora na área do cancro, revelou que trabalhou como prostituta para pagar os estudos. Quando foi estudante e call-girl em Londres, manteve um blogue em que contava a sua vida. Foi um êxito, publicou um livro e até se fez uma série de televisão chamado “Diário de uma call girl”. Cobrava 335 euros por hora durante 14 meses, mais os direitos autorais ganhos, podemos imaginar que fez um bom pé-de-meia. Como investigadora na Universidade de Bristol, parece que é bastante apreciada. Julgo que a prostituição não podia ter tido melhor publicidade que esta história de sucesso. Se esta profissão fosse proibida em Inglaterra, muito provavelmente teríamos perdido uma cientista, um livro e uma série de televisão. São muitos os mundos que teriam sido prejudicados. A parte editorial é a menos importante. Muitos livros se escreveram sobre as experiências de uma mulher da vida, por isso conta menos. Claro que não deve haver muitos casos com um final tão feliz. Deve ter havido muitas estudantes que conseguiram pagar os estudos recorrendo à mesma actividade. Mas devem ter sido menos as que acabaram o curso. Ainda menos as que estudaram coisas sérias como Biologia, Química ou Medicina. A família de Brooke também deve ter ajudado. Não só pela educação que lhe deram mas também por causa da experiência do pai. O senhor Paul Magnati, uma grande putanheiro que contabiliza mais 150 prostitutas na sua vida, afirmou que sempre falou bem e com respeito das suas companheiras e passo a citar: “A minha filha percebeu que as prostitutas são apenas pessoas”. Uma lição de vida. Mas pelo sim, pelo não, não façam isso em casa. Não divulguem que as vossas enteadas ou sobrinhas também são pessoas. Pode dar-lhes ideias académicas erradas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:21
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Lisboa acordou hoje com dois grandes cabeçalhos noticiosos. Portugal atinge o máximo histórico de desemprego com 548 mil desempregados e Armando Vara continua a receber trinta mil euros do BCP. Acredito que uma coisa não tenha a ver com a outra, embora nunca se saiba. O número de desempregados é horrível mas tendo em conta que estamos a viver uma crise mundial, só comparável com a dos anos 30, é infelizmente natural que superemos o nosso recorde de desemprego. Caso contrário, não estaríamos a viver uma crise do caneco. A nossa esperança de estes números descerem rapidamente é o nosso Ministro das Finanças, que está no décimo quinto lugar dos 19 ministros europeus dessa pasta. Não seria a primeira vez que os últimos da aula consigam ter sucesso onde os betinhos dos primeiros lugares não conseguiram. A segunda notícia, a de Armando Vara, é mais delicada e injusta. Que a entidade patronal decida continuar a pagar-lhe o salário até ver o que o tribunal conclui, parece-me justo. Que o salário seja de trinta mil euros não me impressiona. Vejamos, Vara não é um empresário. A sua carreira de administrador foi o culminar de uma carreira política. Mesmo assim, o BCP confiou-lhe dossiers explosivos, entre os quais, a PT, a EDP, a Teixeira Duarte, Joe Berardo, Joaquim Oliveira ou Manuel Fino. Malta da pesada. Como se isto não desse muito trabalho, Vara era ainda responsável pelos activos em Angola, o maior accionista do BCP. E foi responsável pela entrada do BCP no mundo do futebol. Todas estas áreas são difíceis, perigosas e de alto-risco para a segurança nacional. A minha teoria é que Armando Vara é uma espécie de Jack Bauer da Administração Pública e privada. Um homem capaz de fazer o seu trabalho a qualquer preço, desde que seja por um bem maior. Disposto a correr riscos e a desafiar perigos. Sugiro que tirem esse o olhar de desconfiança sobre o homem e comecem a mostrar algum respeitinho. Até pode chegar a ser o nosso seleccionador nacional. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:17
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Na semana passada houve uma notícia que teve algum destaque mas quase nenhum comentário. A revista Forbes fez uma lista das pessoas mais influentes do mundo e o nosso ex-primeiro ministro António Guterres estava lá num honroso sexagésimo quarto lugar. Antes de mais devo dizer que gosto muito de listas. É uma maneira inofensiva de dar uma ordem ao caos natural. Também serve para estabelecermos uma hierarquia do que nos importa. Julgo que as listas, por ordem alfabética ou baseadas numa rigorosa matemática, são sempre subjectivas ou discutíveis. Quando fazia com om os meus primos uma lista das melhores mulheres do mundo, entre uma actriz americana, como por exemplo, a Natalie Wood, e uma cantora francesa, como por exemplo, a Françoise Hardy, podia aparecer uma prima nossa chamada Glória ou a Tia Marta, a mãe de um colega da escola. A Forbes americana às vezes faz-me lembrar a minha adolescência. Com o devido respeito pelo António Guterres, Alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, o seu lugar entre as mais influentes personalidades do mundo é explicada como tendo um poder absolutamente nulo para a maioria das pessoas mas quase omnipotente para aqueles que entram na triste categoria de refugiados. Isto até faria algum sentido se as Nações Unidas tivessem algum poder de escolha ou, simplesmente, algum poder. Mas não é assim. Por outro lado, para ser influente, tem de se ter a capacidade de, curiosamente, influenciar. Mas por definição, António Guterres não tem nenhum poder sobre quem não é refugiado. Só sobre os refugiados. Mas o facto de serem refugiados significa que foram despojados de qualquer poder. Acho muito bonito que tenham incluído o Guterres numa lista de personalidades influentes, sete lugares depois de Sarkozy e três à frente de Hugo Chávez. Mas é como eu dizia: a minha prima Glória era mais gira que a Raquel Welch e só um bocadinho menos que a Brigitte Bardot. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:02
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

A 3 de Setembro, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, emitiu um despacho determinando a destruição das gravações das conversas de Armando Vara com o seu amigo José Sócrates. Por sua vez o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, enviou para o DIAP de Aveiro a decisão do Supremo Tribunal de Justiça. A ordem não foi cumprida. No sábado passado, o Supremo esclareceu que a execução da ordem é da responsabilidade da Procuradoria mas a Procuradoria afirma que depende da direcção da investigação a Armando Vara sobre o caso Face Oculta que recai sobre o DIAP de Aveiro. À primeira vista podíamos dizer que ninguém quer tomar a responsabilidade de um acto tão irreversível como a destruição de uma informação recolhida legalmente numa investigação. Ainda mais quando se sabe que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem defende a conservação de escutas nestes casos. Mas o que parece não é sempre o que é. Para mim este é um desses casos. Quando o Procurador afirma temerariamente que por ele já tinha revelado o conteúdo das conversas está a dizer simplesmente que não pode fazer aquilo que gostaria de fazer. Quando o Supremo diz que não depende dele que as gravações sejam destruídas, está afirmar que mais não pode fazer. E agora está tudo onde começou, que é no incorruptível e sigiloso DIAP de Aveiro. Que é onde deve estar. Os métodos da Justiça podem parecer ridículos mas estão certos. São como as regras da boa educação e de respeito pelos mais velhos. Podem parecer puramente formais, mas são essenciais para que a ordem natural das coisas seja respeitado. Pela minha parte tenho a certeza de que a malta de Aveiro vai fazer o correcto. Para isso, precisavam do apoio e do conhecimento dos mais velhos. Os mais velhos sabiamente disseram: “Ó filho, faz lá o que tens a fazer”. Além de Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro terem mais que fazer que andar agora a tratar das mixórdias telefónicas de Aveiro. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
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