Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

O Público fez um balanço dos debates quinzenais com o primeiro-ministro na Assembleia da República. Todos os deputados concordam que trouxeram "centralidade e visibilidade" ao debate político no Parlamento. Dois anos depois da reforma que os implementou – e no dia em que se realizou o último debate quinzenal da legislatura, sob o tema dos apoios aos estudantes – o balanço é positivo. Todos consideram que a medida é para manter e aprofundar e apenas a prestação de José Sócrates é criticada pela oposição. Concordo que foi bom. Pela minha parte até devia haver debates todos os dias. Podiam guardar os debates com o Primeiro-ministro para os sábados à noite para o público trabalhador, que não pode ver às quartas-feiras à tarde. No entanto, não concordo que a prestação de Sócrates tenha sido um aspecto negativo. Negatividade por não responder às perguntas, por anunciar medidas populistas ou não implementadas e essas coisas normais na democracia. Tenho a certeza de que sem Sócrates, este modelo de discussão aberta tinha sido uma chatice. Sócrates sabe conquistar audiências. O que seria um debate sem a indignação do primeiro-ministro? Como nos lembraríamos que uma parte da oposição já foi governo e não fez o que exige que se faça? E que a outra parte da oposição, que nunca foi governo, e não sabe o que diz? Seriam todos esquecidos. A partir do momento em que os debates na Assembleia começaram a ser transmitidos em directo, passaram a ser um espectáculo. Tenho muita pena, mas se um dia Ferreira Leite estiver no palco, as audiências podem descer. Ninguém está para ouvir números e previsões sem nunca ter uma punch line. Jerónimo de Sousa também não nasceu para dar alegria ao espectáculo. O capital e os trabalhadores sempre deram filmes neo-realistas. Louçã no início é capaz de ter alguma graça. Mas depois do terceiro debate só nos ia fazer ter saudades da homilia dos domingos. O partido dos Verdes, bem, isso seria um desastre para o mundo do showbizz. Nos assuntos dos negócios, sou conservador. Julgo que ainda podemos ter uma sequela de Sócrates. Imagino o trailer: “Quando teve tudo, foi maltratado, foi interrogado com os métodos mais cruéis. Mas nunca revelou o seu segredo. Agora, quando só tem uma maioria relativa, todos querem respostas. Não sabem que por trás do seu governo minoritário, ele é que tem as perguntas. Sócrates II: A Vingança. Brevemente na sua mesa eleitoral”. Desculpem lá, mas as audiências vão disparar. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:46
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Comentários:
De Óscarito a 28 de Junho de 2009 às 01:13
Então e agora acusam o homem de mentiroso só porque disse que desconhecia o negócio da PT?
Porque já o... (como é que ele se chama)... o Sr. Dias Loureiro não sabia de nada, e depois esqueceu-se de tudo e finalmente lembrou-se de qualquer coisita.
Se isto continua assim e os gajos vão-se esquecendo estarão a gerar uma epidemia?
Eu já estou a ficar preocupado porque penso que não haverá vacinas para todos.


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