Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Parece que os inúteis inquéritos de Verão foram substituídos por inquéritos sociológicos sobre os portugueses. No fundo são a mesma coisa mas estes últimos são mais divertidos e mais caros. Estou à espera do estudo que nos esclareça de que signo astrológico somos, qual é a nossa cor favorita e se fôssemos todos para uma ilha deserta, que português levaríamos connosco. Entretanto, peço aos meus compatriotas para terem calma com as conclusões precipitadas que muita gente tira destes inquéritos. A última investigação noticiada foi realizada pela Universidade Católica e conclui, com algum desdém, que os portugueses estão mais individualistas. Justificam esta “terrível” conduta com a pressão da sociedade e com o apego à família. Segundo o responsável, estas características levam à “ausência de solidariedade”. Não me perguntem porquê. Ele disse isso e juro que não compreendo. Provavelmente o homem chegou a esta conclusão por causa de uma pergunta enganosa: se fazia sentido morrer por alguém. Quarenta se seis por cento dos portugueses responderam que não. Os inquiridos foram obviamente apanhados de surpresa. A resposta certa era alguém, quem? Que estava onde? A fazer o quê? Mas sem estas aclarações até o Manuel Alegre respondia que não. O mais engraçado de tudo é que no balanço geral, qual astróloga Maya, o investigador afirma que “ter uma família sólida, amar e ser amado, ser um profissional competente, ser honrado e ter amigos leais são os principais objectivos dos portugueses. E que ser famoso e rico são das suas últimas prioridades. Nas tomadas de decisões, o que mais os influencia é a consciência e a família”. Quem não casava com uma mulher ou um homem assim, ou quem não quer ser assim quando for grande? Claro que aquele pormenor de não dar a vida por alguém é chocante. Quem nos dera ter portugueses fundamentalistas do Hamas ou bons pais de família talibãs. Aí teríamos o povo perfeito. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:16
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Comentários:
De Óscarito a 2 de Julho de 2009 às 02:29
Uma coisa que adoro são inquéritos.
Sobretudo os do tipo: "era capaz de morrer por alguém?", que esperam uma resposta rápida, porém consciente. Mesmo porque após uma resposta surge de imediato outra: Porquê?
Eu pergunto-me: qual o propósito deste tipo de questionários?
Vai servir para alguma tese?


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