Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

O Partido Socialista convidou Ben Self, o responsável pela campanha na Internet de Barack Obama, para dar uma palestra. Ouvi dizer que muito boa gente achou uma perda de tempo e dinheiro. Não concordo. Não consegui apurar se o Benny Ele-Próprio, como o tratamos em casa, foi ou não contratado para as futuras eleições legislativas. Só tenho a certeza de que não foi contratado para as autárquicas. Todos sabemos que é difícil organizar seja o que for com os autarcas que não seja local ou da terra. Caso o Benny tenha sido contratado pelo PS, só tenho de felicitar o partido por tal iniciativa. Sou sempre a favor de aprender tudo o que se faz fora de Campo de Ourique, que é o meu bairro. Foi com naturalidade que percebi o pouco entusiasmo da plateia quando Benny falou de dinheiro. Setecentos e setenta milhões de dólares de contribuições pela Internet é coisa que só pode acontecer lá na terra deles. Cá, nem a mãe do Sócrates chegaria a sonhar com uma coisa dessas. O tema seguinte foi a mensagem. Entre outras coisas deu um conselho de borla. Disse que não é bom mudar nem os princípios nem a imagem. Não posso estar mais de acordo e só essa observação vale cada cêntimo que lhe foi pago. Entrevista à Ana Lourenço da SIC Notícias, ninguém quer. Intervenções no Parlamento a dizer “faz favor”, “desculpe lá”, “não sei de nada”, “deixe-me concordar com o senhor deputado da oposição”, não queremos nunca mais. Mais difícil é concordar com o Ben Self, quando defende os nossos líderes se devem mostrar na intimidade do lar. Não gosto de imaginar que um ou outro não saiba comer nem agarrar nos talheres como deve ser. Acho muito arriscado. Por último, o tema de que é preciso paixão nas mobilizações e não tanto aparelho, autocarros e transporte de militantes daqui para ali, é que é mais difícil. Tantos anos e tanto trabalho que deu aos partidos construir uma máquina organizada que funcione nas eleições devem ser atirados ao ar? Não me parece. Estamos a falar da nossa tradição, conseguida ao longo dos séculos da nossa história. Vê-se aqui a diferença entre um pais novo como os Estado Unidos e um país cuja origem se perde no fundo do túnel da História. Já agora em que gastaram eles aqueles setecentos milhões? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:20
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