Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Espero não chegar tarde à festa organizada pelo diabinho do Manuel Pinho. Peço desculpa, mas não foi ideia minha que o episódio que tanto deu que falar tenha ocorrido quando já tinha fechado a loja. No entanto, estou pronto para dar o meu contributo ao debate da Nação aberto pelo ex-ministro de Economia. Estava a seguir em directo e posso afirmar que o primeiro partido a reivindicar-se como vítima do inominável insulto foi o Bloco de Esquerda. Só depois foi desmentido e foi atribuído o martírio no altar da honra ao Partido Comunista. Porque é que o Bloco julgou que os chifres lhes tinham sido apontados? É um mistério comparável ao número de franco-atiradores que dispararam contra Kennedy em Dallas. Espero que o Oliver Stone se interesse pelo drama da Assembleia da República. Outro ponto que continua obscuro é o significado dos cornos e por que motivo Manuel Pinho optou pela forma mais trabalhosa de os fazer. Muito mais simples teria sido fazê-los com o indicador e o dedo pequenino da mesma mão esticados. E mais inequívoco teria sido usar só o dedo do meio. O significado do gesto e o seu significante continuam a ser objecto de estudo dos especialistas. No meu entender, será inútil. A explicação dos corninhos do ex-ministro é simples. Basta reparar nas declarações feitas ao longo de seu mandato. No início, todas eram produto de uma ingenuidade infantil: “investir em Portugal é bom porque os salários são pequeninos”. “Não há crise em Portugal porque estamos longe de tudo”. “Allgarve vai resolver o problema turístico de Algarve”. “O Director da ERC é o meu amigo, gosto muito dele e por isso o nomeei”. Em matéria de agressividade política dizia coisas semelhantes a um menino no infantário: “Tens de comer muita papa Maizena para seres grande”. Esta frase até deu direito a uma oportuna campanha comercial. Esta última de fazer os cornos como se estivesse a brincar no recreio com os seus coleguinhas é coerente com as anteriores. O problema de Manuel Pinho é que por trás do seu aspecto de G.I. Joe ou de X-men de super-poderes ocultos, o homem é uma criança, apesar de já não ser. Por isso sou contra a sua demissão. Governar é uma coisa séria. Não se pode interromper uma carreira por uma birra de putos. Acabado o debate sobre o Estado da Nação, era mandá-lo para a cama sem sobremesa, e explicar que há coisas que não se fazem às pessoas adultas. E pronto. Senão, nunca vai perceber porque foi demitido. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:52
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