Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Devia fazer uma rubrica só dedicada aos inquéritos de Verão. Desta vez li as conclusões da New Economics Foundation, que levaram a escolher os países mais cotados no índice do Planeta Feliz. Entre 143 países, nós estamos no nonagésimo oitavo lugar. Não é grande coisa. Mas por amor de Deus, não se deprimam! Esta organização é generosamente subvencionada por ex-hippies, milionários com culpa e países infelizes, mas ricos. Se o estudo tivesse sido sobre os países mais quentes ou mais frios, com certeza conseguíamos atingir um lugar semelhante. Um pouco mais acima, entre os quentes, e um pouco mais abaixo, entre os frios; ou, se calhar, ao contrário. Já perdi a conta dos países em Africa e nunca percebi quantos países há na América Central. Mas começo pelo princípio. O Índice do Planeta Feliz contabiliza quatro indicadores: o grau de satisfação dos habitantes de cada país, a esperança média de vida, os anos de felicidade de vida (happy life years) e as políticas favoráveis ao ambiente ali praticadas. Como podem verificar, são indicadores tão hedonistas quanto ecológicos. Por isso, em primeiro lugar estão os países com coqueiros, bananas, café, praias e gajas boas: Costa Rica, República Dominicana, Jamaica, Vietname, Colômbia e Brasil. Se calhar, o Vietname compensa as raparigas giras e a falta de bananas com os eróticos arrozais. Curiosamente, o Egipto, a Albânia, o Camboja e a Bósnia-Herzegovina estão mais bem posicionadas que nós. Não faço ideia porquê. Devem ter metido alguma cunha. No entanto, Portugal no seu nonagésimo oitavo lugar está mesmo assim mais bem colocada que os Estados Unidos, a Rússia, a Austrália e outros pesos pesados. Por outro lado, como os indicadores são quatro, há sempre um que ajuda e outro que estraga a média. No nosso caso, ajuda que tenhamos muitos velhinhos. Mas estávamos melhor se tivéssemos mais painéis solares, mais carros híbridos, mais ventoinhas gigantescas, mais bananas e sermos produtores de café. Por isso, peço-vos que não entrem em pânico. Ainda vai chegar o dia em que os verdes do New Economics Foundation fazem um estudo sobre os países com jogadores de futebol mais caros no mundo. Vai ser bom ver em que lugares ficam a Costa Rica, a Nicarágua, a Arábia saudita e todos esses felizes planetários. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
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