Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Como é natural, o meu trabalho impõe-me certas condições. Elas são as seguintes: não ter filiações partidárias, para poder ser isento. Não ser adepto de um clube de futebol, para não contaminar a minha integridade. Em termos religiosos, o contrato dá-me a liberdade de acreditar ou não em Deus, na condição, está escrito em letra pequenina, de não evangelizar, não circuncidar, não pôr bombas nem deixar que me fotografem a banhar-me no rio Ganges. Tenho outras limitações mas estão escritas numa letra ainda mais pequenina, mas suponho que o xintoismo, o budismo, o xamanismo e outras precisam de mais espaço para serem referidas. Digo isto porque tenho de falar sobre um tema que pode ferir algumas sensibilidades religiosas. O Papa Bento XVI, Joseph Ratzinger para os anticlericais ferrenhos, na sua encíclica Caritas in Veritas, (meu Deus, como gosto do latim!), fez uma declaração importante sobre o estado político do mundo. Muitas das suas afirmações não trazem nada de novo. Já é conhecida a posição conservadora da Igreja nos assuntos sexuais. O toque social-democrata em questões sociais é tradicionalmente inequívoco desde o século passado. A atitude gentilmente liberal ante a economia também. A novidade é a inclusão de uma posição sobre a globalização, que o Papa não acha nem boa nem má, e a existência de uma autoridade internacional. As Nações Unidas, mas com mais poder. Desculpem, mas digam lá se não é lindo? Não vai levar a nada. Mas é bom que uma autoridade religiosa influente meta a colher no meio desta balbúrdia. O Papa disse diplomaticamente que as Nações Unidas não servem para a ponta dum corno, que o G8 é tendencioso e que a globalização até pode ser uma coisa boa. Claro que entre os opositores vai haver uma concordância imobilizadora. Entre os apoiantes uma incapacidade de fazer seja o que for. Mas não faz mal. Está dito. Obviamente vamos ter de ouvir condenações lapidares como, por exemplo, não é bom que uma pessoa, neste caso o Papa, faça uma dupla candidatura. Mas pelo menos a Ana Gomes e a Eliza Ferreira não se vão opor por uma insignificância dessas. Chegado o momento, o Papa Bento XVI escolherá se quer liderar o mundo ou a Cristandade. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:56
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