Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Confesso que não gosto lá muito de coisas novas. Nunca sou o primeiro a ter coisas acabadas de sair ao mercado. Utilizo o Windows XP desde que a Windows lançou o Vista. Compro os meus carros novos, mas espero que saia a nova versão para comprar o modelo antigo. Este tradicionalismo aparente é apenas uma maneira de me defender contra a minha ignorância sobre os produtos. Atrevo-me a maçar-vos com estas intimidades por causa dos conflitos internacionais. Houve uma época em que as guerras se travavam entre gente conhecida. A Prússia contra a França, a França contra a Rússia, a França contra a Áustria, a França contra todos. Mesmo na Primeira Guerra Mundial, todos sabiam onde ficava a Bósnia-Herzegovina. Nós tivemos de descobrir onde ficava há pouco menos de duas décadas. Antes, só o ingleses lutavam com gente esquisita. Os Boers na África do Sul, por exemplo. Ou estados monhés nunca antes conhecidos, que sempre gostaram de ficar nas costas dos países exóticos. Lembro-me quando aconteceram os massacres no Ruanda, que nunca antes tinha ouvido falar dos Tootsies e dos Hutus. Quando chegaram as primeiras notícias nos anos noventa, lembro-me de pensar sem reflectir que era uma guerra dos Hutus homofóbicos contra os transsexuais dos Tootsies. E tudo por causa do filme do Dustin Hoffman. Estas envergonhadas memórias voltaram como uma maldição quando li que os confrontos em Xinjiang alastraram para Kashgar. Xinjiang não é uma maneira de perguntar em mandarim onde posso fazer xixi. É uma cidade na China. E Kashgar, também. A minoria chinesa chamada Han está em conflito com a maioria muçulmana Uigur, não confundir com iogurte. Vou repetir para que não percam o raciocínio: Os conflitos entre os Hans e os Uigors em Xinjiang, alastram-se até Kashgar. Tudo começou com… não interessa agora. Tudo começa mais ou menos sempre da mesma maneira e ninguém tem culpa ou têm todos. Mas se querem ser comentados pela imprensa internacional, ajudava terem nomes mais fáceis sem sonoridades esquisitas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:57
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Comentários:
De entremares a 12 de Julho de 2009 às 22:52
Tempos houve em meia dúzia de nações construiram impérios, conquistaram mundos ao mundo e... lutaram para os manter. O futuro, incerto como é, desagregou todos os impérios, e qual vento e água em rocha sólida, reduz à essência tribal muitas nações.

Teremos algum dia países como Andaluzia, Bretanha, Louisiana, Cabinda, Alentejo ou Quebec ?

Quem o sabe?
Nesta aldeia global, uma coisa é certa. Essas ( e outras ) novidades, saber-se-ão em directo... e a cores.

Boa semana de comentários...


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