Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Os delírios que as pessoas estão a ter com a gripe A são cada vez mais ridículos e menos preventivos. A ideia de que as futuras campanhas eleitorais serão influenciadas pelo medo do contágio está a tornar uma gripezinha como tantas outras, a que sobrevivemos todos os Invernos, num mito urbano. Os jornalistas, por exemplo, estão a projectar os seus medos de ficar engripados nos locais de trabalho. Só assim se explica o temor que os políticos com os seus métodos de beijinhos e abraços possam adoecer e, juntamente com eles, os jornalistas que os acompanham. Esta suposição é estatisticamente absurda. Entre dez milhões de pessoas a beijar um político e um político a beijar dez milhões de pessoas, quem acham que pode ser mais perigoso? O político, claro está. Um homem em campanha é um transmissor em potência. Não são eles que se têm de cuidar: é o povo. No entanto, os jornalistas preocupam-se com os potenciais agentes de contágio em vez de se porem em lugar do beijado, ou seja, dos eleitores. Eles representam as populações ainda saudáveis e ainda desejosas de serem beijadas e abraçadas pelos seus líderes. O Marques Mendes do PSD até afirmou que “se a gripe se espalhar, os partidos políticos deverão fazer mais uso da mediação da comunicação social”. Não são os partidos que devem decidir isso. São os eleitores que devem exigir que os partidos políticos os tentem convencer apenas pela televisão, pelos jornais e rádios. Ninguém quer ser contagiado. Por outro lado, insisto que esta gripe é apenas uma gripe. O que significa que não é mais perigosa que outras que já passaram pelas bochechas dos portugueses. As medidas de prevenção são claras e iguaizinhas às outras. Lavar as mãos, cobrir o nariz e a boca ao tossir e ao respirar. Não é muito difícil, pois não? Quem não lava as mãos nem tapa os orifícios humanos que expelem micróbios deve ficar em casa. Se calhar, podia adicionar-se uma outra medida preventiva: não se aproximar de pessoas pertencentes aos grupos de risco mais expostos a situações de contágio. E quem são eles, quem são? Os políticos em geral; e, em particular, aqueles em campanha. Quem não sabe quem são? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:18
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