Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Peço que os menores de 16 anos não oiçam o meu comentário de hoje. É um tema delicado. Li o seguinte no Correio da Manhã: “Prostituta recusou orgia com Berlusconi”. O cabeçalho é sem dúvida apelativo. O nome da profissional com princípios inabaláveis é Patrizia D’Addario, uma bela ragazza cujos serviços foram repetidamente requeridos pelo maroto presidente italiano. Ao que dá a entender a noticia, Patrizia recusou prestar os seus serviços junto com outras colegas, também de luxo como ela, que estavam também no quarto do mandatário. Para perceber o fundo desta notícia temos de recorrer ao pensamento abstracto. Ou seja, primeiro devemos esquecer se a prostituição é aceitável ou não. Em segundo lugar, devemos pôr de parte se Berlusconi é vítima de uma campanha política escondida por trás da moral. Em terceiro lugar, é preciso não julgar Patrizia como prostituta. Não sabemos o que fez com que uma rapariga tão gira e, suponho, inteligente, tenha optado por essa profissão tão extenuante. Por último, não devemos deixar que se sugira sequer que a Patrizia esteja a lucrar com estas revelações nem que esteja a trair o pacto de confidencialidade entre prostituta e cliente, exigidos neste tipo de relação ao mais alto nível e à mais alta finança. Não. Nada disso nos serve para reflectir serenamente sobre a particularidade desta notícia. Pelo menos, para mim, o insólito foi a firmeza de Patrizia em recusar a orgia proposta por Berlusconi. Dizer não a um presidente de um país europeu pertencente ao G8. Recusar os honorários, dois mil euros, que, diga-se de passagem, causaria inveja a qualquer profissional não importa de que profissão, merece, se não um encómio, pelo menos esta crónica. Contudo, algumas perguntas não deixam de zumbir na minha cabeça. Como, por exemplo: é assim tão mau trabalhar em equipa? O que pensam as colegas de Patrizia do seu individualismo? O Berluscas tem cabedal para tantas empregadas para o mesmo trabalho em simultâneo? O que faz o sindicato para impedir abusos destes? Não consigo dar respostas a tantas interrogações. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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