Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Os portugueses têm uma mistura estranha de pessimismo fatalista e optimismo que chega ser revoltante. Aceitamos as desgraças da vida como se fossem um castigo divino e, como tal, merecido. E acreditamos piamente que essa desgraça nunca vem só. Ao mesmo tempo somos capazes de suportar outras dificuldades com uma resignação zen, do estilo que tudo “vai passar” ou já foi ou podia ser pior. No primeiro caso, aquele das desgraças inevitáveis, temos as declarações do vice-presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, João Vieira Lopes, e o presidente da PME Portugal, Associação Representativa de Pequenas e Médias Empresas Industriais, Joaquim Cunha. Estes empresários portugueses temem que o agravamento da gripe A no País acelere falências de pequenas e médias empresas já em dificuldades por causa da crise. Se o cenário traçado de 2,5 ou 3 milhões de infectados se confirmar e houver uma concentração elevada de baixas nos meses de Inverno, há portas que irão fechar definitivamente, quer nos sectores do comércio e serviços, quer no da indústria. As lojas vão fechar e as indústrias vão parar. A Gripe A, qual praga do Egipto, trará o caos. No segundo caso, do optimismo desenfreado, temos as declarações destas mesmas personalidades. Não é a crise internacional, não é a falta de dinheiro, nem o desemprego que vão afectar o comércio e a indústria. Esta é uma desgraça a que já nos habituámos. Mas a gripe A, ah, meu Deus! Essa é que nos vai atirar às lonas. Não há indústria farmacêutica nem anticorpos que nos safem. Se não fosse esta gripezinha, até nos arranjávamos. Bem podemos com a crise financeira e com a falta de dinheiro. Ma o vírus, Senhor, o que fizemos para merecer isto? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:35
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO