Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Estou convencido de que Portugal é o triângulo das Bermudas da informática. Quando começaram a informatizar repartições públicas e grandes empresas privadas era normal ouvir dizer que o sistema tinha ido abaixo. No princípio, fazíamos um esforço para não perguntar: “Abaixo de quê?”. Mas depressa percebemos que esta impossibilidade de computar era o preço que pagávamos pela modernidade e habituámo-nos que nada se podia fazer contra a descida de altitude do sistema. Depois passámos à etapa do erro informático. Não havia empresa que não explicasse alguma irregularidade na factura com o tal erro informático. E passámos a revistar manualmente qualquer factura que viesse dum computador. Quando o INEM decidiu informatizar-se, só os mais ingénuos julgaram que por isso as ambulâncias chegariam sempre a tempo de evitar o pior. Por isso é sempre prudente chamar o INEM antes de ser realmente preciso. Era inevitável que depois da Saúde, a informática chegasse à Justiça. O sistema tem um nome, Citius, neste caso, embora nos tribunais lhe chamem os piores nomes possíveis. Há juízes que afirmam perder mais tempo com o novo e moderno sistema do que quando faziam o seu trabalho nas velhas e queridas Remington. Outros acham que o sistema se torna mais acessível a políticos curiosos ou intrometidos. Há outros que vão mais longe e reforçam a permeabilidade a qualquer tipo de pirataria. Enfim, as queixas ainda vão no adro. Terão reparado que não mencionei o Magalhães. É normal. O único erro assinalado, o dos erros de ortografia, não foi culpa da máquina mas do informático que não sabia bem português. Claro que os componentes estrangeiros também não ajudaram, mas não interessa. A questão é que só no nosso País é que as novas tecnologias não são compatíveis com os serviços. A única explicação que encontro é a informatização nacional ter sido prematura. Em vez de se começar pelos sistemas mais recentes para informatizar desapiedadamente tudo o que fosse informatizável, devíamos ter começado devagarinho. Primeiro era habituar toda a gente às antigas máquinas de escrever. Depois passar as máquinas eléctricas com correctores. Logo aos processadores de texto. Uma vez que toda a população estivesse habituada, passar a um computador simples, como as primeiras versões do Dos, e assim por diante, de uma forma homogénea em todas as actividades e progressiva no avanço tecnológico. Segundo as minhas contas ainda devíamos estar na fase do Windows Nt ou 95 e no Macintosh ainda não estaríamos preparados para utilizar o Mac OS X v10.0 "Cheetah". Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:38
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO