Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

No Verão é habitual recomendar livros para leitura nas feiras. Pessoalmente, acho extremamente incómodo ler na praia, mas como desculpa para não ser incomodado, continua a ser bom levar um livro para sítios onde não é suposto ler. Não vou recomendar nada. Julgo que já somos todos suficientemente crescidos para escolher. Nem estou na praia e nem sequer estou de férias, no entanto gostaria de partilhar uma informação lida, imagine-se, num livro cuja primeira edição remonta a 1954. Foi escrito por John Kenneth Galbraith, um célebre economista que infelizmente não está entre nós há três anos. O livro chama-se em português Crash 1929. O título original é um pouco mais generoso: “The Great Crash 1929”. Foi-me dito que as semelhanças com a situação actual são surpreendentes. É verdade, há semelhanças mas que acabam ali. A famosa grande depressão dos anos trinta pouco tem que ver com a actual recessão. Mas a minha intenção não é ser chato. As páginas mais actuais e fascinantes são a descrição do presidente americano Herbert Hoover, em funções durante esses funesto dias. Quando começaram os sinais do crash na bolsa de valores em Nova Iorque, ele não poupou esforços para negar a crise. Quando a crise estalou continuou a afirmar que estava tudo sob controlo. Segundo o autor do livro, Gabraith, Hoover foi o presidente que inventou as reuniões que não servem para nada. Em plena crise, convocava reuniões com industriais, banqueiros, economistas proeminentes, delegados sindicais poderosos, tudo com frenética frequência. As conclusões eram sempre as mesmas: estamos a trabalhar em conjunto, todos os nossos esforços estão empenhados em encontrar uma solução, sabemos a gravidade da situação e todas essas coisas que estamos fartos de ouvir. O maravilhoso desta história é ter havido um inventor das reuniões inúteis. No entanto, não são tão inúteis como costumamos pensar. Passo a citar o autor: “Numa democracia saudável são necessários mecanismos para simular a acção quando a acção é impossível”. Digam lá se não é uma boa dica para perceber a vida? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:39
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