Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Esta semana a Coreia do Sul fez uma simulação de guerra. Obviamente, considerava a Coreia do Norte como o seu agressor. Já lá vão os bons velhos tempos em que os agressores eram a China ou o Japão. Julgo que ninguém tem a menor ideia do que é viver sob a ameaça de antigos compatriotas governados durante décadas por psicopatas que nos querem libertar do nosso conforto democrático, com bons contactos no Ocidente e, pronto, até um bocadinho decadente. A sensação não deve ser boa. Comparando, os nossos problemas com Castela e Napoleão eram simpáticos e, à distância, até culturalmente enriquecedores. Mas se a Coreia do Norte conquistasse a do Sul não havia Beresford com subordinados inteligentes nem Restauração que nos valesse. Segundo fui informado, a defesa da Coreia Simpática contra a agressão da Coreia Antipática foi simulada tendo como ponto de partida uma onda de ciber-ataques. Isto significa que o primeiro sinal de uma invasão pela Coreia do Norte será uma perturbação grave da Internet na Coreia do Sul. Faz sentido. Embora seja um defensor da liberdade de informação, tenho os meus “está calado” quando se trata da segurança nacional. Quero dizer que, se é público que quando há problemas com a banda larga nunca é por causa do mau serviço da fibra óptica nem de um vírus, mas é porque estamos a ser invadidos, é muito provável que o inimigo saiba este pormenor. Esta percepção implica que se todos estamos online tranquilos pode ser que é por o inimigo querer que pensemos que estamos em segurança. As possibilidades de desenvolver paranóias chegam a ser infinitas. E espero que tenham reparado que não falei de bombas nucleares nem das outras. Esta história leva-nos a duas conclusões. Primeiro, que viver na Coreia do Sul não deve ser bom para cardíacos. Segundo, que aqueles que em Portugal têm um discurso obsessivamente anti-espanhol, pelo sim, pelo não, deviam ter tento na língua. Pela minha parte, não me importo nada que os espanhóis comprem o que queiram, desde que paguem. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:40
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