Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

O episódio do convite do PS a Joana Amaral Dias não temimportância nenhuma. Ser verdade ou não já não interessa a ninguém. Até acredito que tenha um fundo de verdade muito português. Do estilo que um socialista do círculo socrático tenha encontrado a Joana nalgum jantar e tenha dito tão ao jeito de sedutor noctívago: “A Joana um dia ainda há-de estar no Parlamento connosco. A menina devia deixar de perder tempo com os putos do Bloco, vai ver que precisa de gente mais experiente que conheça melhores restaurantes”. A Joana, entre educada e coquete, deve ter respondido com um sorriso e um “isso ainda se está para ver”. Pronto. No dia seguinte, contou este diálogo à mulher de Francisco Louçã e o resto é história. Contudo, a reacção do Francisco foi a do homem orgulhoso da lealdade de uma ex-favorita do Bloco, um clube pequeno mas com ambições ante as tentações e o luxo de um grande da liga parlamentar. Para mim é óbvio que a indignação do líder bloquista foi exagerada e similar à do mulherengo que condena as mulheres com fama de adúlteras. Acaso não namorou durante não tão pouco tempo com o impetuoso Manuel Alegre, histórica figura socialista? Acaso Sócrates atacou Louçã de lhe tentar roubar o seu admirado e teimoso avô? Não. Sócrates deixou estar. Esperou que a relação não tivesse futuro, que morresse por aborrecimento, como é habitual nos casais com muita diferença de idade. Há outras leis sociais que Louçã infringiu: a lei do perguntar não ofende; a do fazer um avanço, que não é pecado; a lei que diz que se uma mulher foi abandonada pelo marido não pode andar a queixar-se das pessoas que querem preencher o vazio deixado na sua vida, e outros enunciados similares respeitados pelos homens desde que todos saímos das cavernas. É evidente que esta foi uma história de Verão. E todos sabemos que as histórias de Verão acabam quando voltamos a casa. Francisco Louçã tem de deixar de ser tão possessivo e não pensar que tudo o que acontece é contra ele. Precisa de férias. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:58
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