Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Hoje vou continuar com a minha série “O Parlamento foi de férias”. O tema é a inclusão de Miguel Vale de Almeida nas listas do Partido Socialista. Mais uma vez vou revoltar-me contra a injustiça e os ciúmes que pululam nas lutas partidárias. Neste caso, tanto o partido portador como o embrionário deputado receberam críticas arbitrárias em partes quase iguais. Muito feios em particular foram os ataques ao Miguel. O homem está concentrado nos direitos dos homossexuais e a possibilidade, embora remota, de fazer pressão da tribuna de um grande partido, é uma oportunidade que só poderia ser posta de lado por alguém com manias de Messias. Todos vimos o filme Milk, baseado na história de vida desse outro grande homossexual americano que teve de integrar uma lista de um partido institucional para se aproximar dos seus objectivos. Em Portugal, o nosso Milk devia ter um partido próprio ou estar no partido institucional das minorias que é o Bloco de Esquerda. Este partido quer ter o monopólio dos votos dados pelas vítimas dos seus problemas “fracturantes”. O que não permitem é que eles próprios sejam fracturados. Mas essa é outra história. Julgo que este episódio gay devia ser um exemplo para outros partidos. Imaginemos um gay no CDS a condenar o casamento e a adopção de filhos pelos casais homossexuais. Teria mais força. Tenho um amigo gay de esquerda que odeia, como muitos heterossexuais, o casamento. E muito especialmente se o casamento for entre homossexuais. Não tem lugar na preconceituosa divisão de valores partidários. Penso que seria bom para a nossa democracia termos um gay oficial em cada bancada parlamentar. Sei que há velhos do Restelo em todos os partidos. A homofobia ancestral dos comunistas é um exemplo da confusão ideológica com a qual certos temas são confusamente tratados. Tal como os partidos mais religiosos, que têm medo de ir para o inferno. Claro que, para isso, seria preciso que os intelectuais gays saíssem todos do armário ao mesmo tempo e que os eleitores não se preocupassem tanto com os armários dos outros. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:57
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