Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Tenho a certeza de que Obama foi sincero quando disse que o polícia que prendeu o seu amigo na sua própria casa, por suspeitas de arrombamento, era estúpido. Ao contrário do que se tem dito, o problema racial é insignificante a partir do momento que o suspeito se identificou e mostrou ser o proprietário da casa que supostamente estava a arrombar. Por outro lado, se o suspeito tem um comportamento incorrecto e descontrolado, pode ser confundido com um criminoso, e não me parece irregular que a polícia tome as medidas habituais nestes casos, mesmo que o cidadão seja preto. O que quero dizer é que este é um exemplo dos muitos equívocos que acontecem no mundo entre os que não esquecem os seus direitos e os que também não esquecem os seus deveres. Quando ambos entram em conflito, dá sempre merda. Só se resolve rapidamente se uma das partes for amiga do Presidente. Que foi o caso. O professor Gates teve a sua sofrida injustiça amplamente divulgada. O polícia, o sargento Crowley, precisou da solidariedade corporativa para se defender. Isto pode acontecer em qualquer país. Menos normal é que o Presidente peça desculpa publicamente e muito menos que convide ambos os protagonistas desta incómoda desavença para tomar uma cerveja na Casa Branca. Obama é de facto diferente. Imagino o magnífico Sandro Pertini, antigo presidente de Itália, a fazer o mesmo; ou, se acordassem bem dispostos, Chavez ou Idi Amim Dada. Associo estes nomes ao incidente porque aqui temos um caso raro em que o populismo e a simpatia podem acontecer independentemente dos sistemas, das políticas, de presidentes ou ditadores. Obviamente, Obama e Pertini têm em comum, além de fazerem parte de uma democracia, uma natureza boa. Provavelmente. o italiano, numa situação idêntica, em vez de chamar estúpido ao polícia, teria chamado “jovem” ou “impetuoso”. E teria contado que o seu amigo, vítima de juventude do polícia, desde pequeno que é um chato rabugento. Enfim, coisas que se aprendem com a idade. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:56
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