Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

É difícil não concordar com Marques Mendes quando afirma que considera uma vergonha que políticos acusados, pronunciados ou condenados por crimes especialmente graves sejam candidatos a cargos públicos. Num mundo diferente nem sequer era preciso ter uma lei para oficializar a ilegibilidade. Mas longe vão os tempos em que as pessoas se suicidavam por vergonha. No entanto, quando o presidente da Associação de Municípios diz que seria inconstitucional pôr em perigo a presunção de inocência, tem alguma razão. Mas pouca. Até acho que nenhuma. Se por um lado é verdade que ser arguido não é ser culpado, é também verdade que aquele cidadão deixou de ser o que se diz totalmente inocente, no sentido em que está a ser investigado. É uma espécie de limbo e todos recordamos que a alma quando está no limbo pode acabar no paraíso ou dar para o torto. Claro que há arguidos mais arguidos que outros. Por exemplo, ninguém julgaria inconstitucional não oferecer a direcção do Banco de Portugal a Oliveira Costa, do BPN, ou a João Rendeiro, do BPP, embora estas pessoas possam ser inocentes das acusações. Compreendo os americanos quando um candidato à presidência fica fora de jogo se for suspeito de um banal adultério. Os eleitores podem ir às meninas regularmente, mas ninguém quer alguém igual a nós a dirigir os nossos destinos. A lógica é simples: se engana a mulher com quem é casado e tem filhos, como não me vai enganar a mim, que não conhece de lado nenhum? È por isso que Fernando Ruas está completamente enganado. Os candidatos eleitos pelo povo têm de ser melhores que o povo. Pelo menos nas coisas elementares como não serem suspeitos dos tais crimes graves de que fala Marques Mendes, como corrupção ou fraude fiscal. Para isso estamos cá nós, meros cidadãos, a lutar contra as vicissitudes da vida como impostos descomunais e salários baixos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:15
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Comentários:
De Vitor Bica a 4 de Agosto de 2009 às 15:34
Tem razao, mas o Sr. Marques Mendes é o unico politico incorruptivel ao longo destes anos.
Não acredite nisso. Faça os seu comentarios mas não procure encosto em nenhum politico, pois pode cair Senhor Comentador.


De Jordão a 4 de Agosto de 2009 às 15:58
Excelente texto! O Candilhes (http://www.candilhes.blogspot.com/) tomou a liberdade de o copiar. Esperamos que não fique muito chateado.


De Rui Ponte a 4 de Agosto de 2009 às 17:08
Será que já não existe registo criminal?
Após uma sentença em tribunal, o nome do prevaricador deveria constar imediatamente no registo criminal. Pois, mas há o dito recurso que serve para proteger os vigaristas.
A lei tem que mudar e não me parece que seja com estes políticos e respectivos "lobby" , que tal possa acontecer.


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