Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

As declarações do Presidente da República no dia que entrou de férias foram intrigantes. Cavaco Silva avisou que não terá muito tempo para descansar. Os inúmeros diplomas da Assembleia que lhe chegaram para análise nas últimas semanas "quase enchem um bom jipe" e é "muito trabalho”. O Chefe de Estado disse ainda não saber se alguns destes diplomas serão para vetar. "Agora que há muitos, muitos diplomas para analisar, isso posso garantir que há". Estas frases ditas pelo outrora circunspecto primeiro-ministro e o actualmente jovial Presidente da República suscitam-me algumas inquietações. A primeira é o que terá Cavaco Silva querido dizer com “jipe”. Temos de ter em conta que quando o presidente fala, todas as suas palavras têm um significado, e muitos interpretados contraditoriamente pelo governo e pela oposição. O suposto transporte quase insuficiente chamado “jipe” terá sido um recado político escondido? Será um jota de José? Talvez. Mas ninguém agora diz “jipe”. Diz-se “SUV” de “sport utility vehicle”. No pior dos casos até se aceita “todo-o-terreno” e nunca 4X4. Aliás, o jeep clássico que deu lugar ao jipe de Cavaco até não é muito grande. Será que quis dizer que a Assembleia não trabalhou muito? Talvez. No entanto, Cavaco Silva também afirmou que há muitos diplomas para analisar. Serão muitos mas pouco desenvolvidos, daí a contradição entre o jipe, que é pequeno, e o trabalho, que é muito? Talvez. A última afirmação do Presidente pode ter passado despercebida pelos analistas mais reputados, até porque todos estão de férias. O Presidente não sabe se muitos dos diplomas não serão vetados. Não saberá ou faz de conta que não sabe? Pode ser que queira fazer uma surpresa a Sócrates e não vete nenhum. Ou que aprove todos os diplomas a ver no que dá. Ah, meus amigos, isto de analisar as declarações das altas esferas dá cá uma trabalheira! Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:17
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Comentários:
De Óscarito a 7 de Agosto de 2009 às 22:15
Como na vida tudo é relativo, as afirmações dos políticos não devem fugir à regra.
Os que gostam do P.R. concordam, aplaudem e "percebem tudo à primeira" enquanto que os outros têm duas opções:
percebem e discordam e/ou discordam (percebendo ou não) e contra-atacam, nem que seja "por princípio".


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