Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

E porque hoje é a primeira sexta-feira de Agosto, vou contar-vos os dramas familiares de que padeço neste mês. O meu sobrinho, a quem ainda falta um tempo considerável para chegar a puberdade, está com o coração despedaçado porque soube que as Pussycat Dolls vão acabar. Para o distraído que não saiba, as Pussycat Dolls são um grupo de raparigas que cantam e cujos vídeos na MTV deviam passar depois da meia-noite. O rapaz está desconsolado. Acha injusto que a velha da Madonna continue e as Pussy não. Foi inútil tentar explicar-lhe que se aquelas raparigas desaparecerem haverá outras. Só consegui que os decibéis do seu pranto aumentassem. O meu pai está desesperado porque a Quadratura do Circulo, a Roda Livre e a Manuela Moura Guedes estão de férias. Também o meu comentário que em Setembro tudo voltará a ser igual a Julho só aumentou a sua aflição. A alegria voltou a reinar quando o meu sobrinho lhe mostrou o vídeo das Pussy. Julgo que posso tirar pelo menos duas conclusões deste episódio familiar. A primeira é que a herança genética não é treta. Para o bem e para o mal, ela existe. A segunda é que as pessoas têm uma tendência a serem leais ou, pelo menos, a resistir às mudanças. Tendo em conta a história do mundo, não penso que esta atitude seja exclusiva dos genes da minha família. Claro que com a idade as lealdades se sofisticam. O meu sobrinho, numa idade masturbatória, não troca as Pussycat Dolls por nada neste mundo. O meu pai trocava o mundo pelas Pussy. Se calhar, quando lá chegar, acontece-me o mesmo. Mas, por enquanto, ainda não cheguei à idade de trocar tudo por nada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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Comentários:
De http://bacharelsocrates.blogs.sapo.pt/ a 8 de Agosto de 2009 às 14:30
http://bacharelsocrates.blogs.sapo.pt/


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