Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
Mesmo que quisesse, não podia acrescentar nada ao acontecimento triste deste fim-de-semana. A morte de Raul Solnado foi uma má notícia para todos. A minha tristeza não é maior nem menor que a de todos os que gostaram dele como artista, actor ou cómico. Ter sido um dos muitos que tiveram a sorte de partilhar trabalho, jantares ou almoços com o Raul Solnado não me consola mais nem me entristece menos. Algum dia ia acontecer acordarmos e sabermos que o Raul nos tinha deixado definitivamente. Mas saber isso não conforta ninguém, muito menos aqueles que estavam prevenidos. Só quero partilhar convosco uma imagem que tenho na cabeça desde o momento em que soube que o Raul tinha morrido. Peço desculpa por usar a palavra “morte” mas é preciso que ocupe o lugar de outras palavras como “vemo-nos amanhã”, “ontem jantei”, “disse que estava em casa” e outras tantas que nalgum momento pareciam eternas ou adiáveis. Mas, dizia eu, a imagem que tenho na cabeça desde sábado pertence a um filme italiano dirigido por Mário Monicelli e Dino Rissi, chamado “I Nuovi Mostri”, que mostrava episódios da vida de pessoas pouco sofisticadas mas muito afectivas, cheias de paixão pela vida. O episódio recorrente naminha cabeça chama-se “L’elogio funebre”. Um grupo de actores vão enterrar um amigo e colega no cemitério. Alberto Sordi começa o elogio fúnebre com dramatismo e circunstância. Num momento da recordação do amigo morto menciona um pormenor de uma cena de teatro que fizeram juntos, o que faz rir um dos presentes. Sordi continua sério e dramático. Um pouco mais tarde acontece o mesmo, mas desta vez além de um dos presentes, um desconhecido, que está a enterrar um ente querido perto dali, também se ri. Mais uma recordação do amigo morto e todos os presentes começam a rir. Alberto Sordi, a sentir que todos estavam atentos às suas palavras, continua a fazer o elogio exemplificando cenas de teatro cómicas e aqueles presentes no cemitério riem sem vergonha nenhuma. O funeral acaba com um “gran finale” de revista. Não estou a sugerir que o funeral do Raul devia ter sido assim, muito menos que esta história tenha alguma mensagem ou queira sugerir seja o que for. Só digo que quando soube que o Raul tinha morrido não pude deixar de pensar nesta cena de um filme italiano dos anos setenta. Fora isso, tudo bem.

 



Publicada por Carlos Quevedo às 23:33
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 15 de Agosto de 2009 às 18:47
teria merecido.


De Óscarito a 17 de Agosto de 2009 às 18:23
Morreu?
Os noticiários, os jornais, todos dizem que sim!
Todavia não consigo afastar o pensamento de que com o Raul Solnado nunca se sabe como acabam as rábulas...

Acho que estou continuo à espera de o ouvir: façam favor de ser felizes!


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