Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) está a ser alvo de críticas das televisões, rádios e jornais portugueses por causa de uma directiva que determina que os media devem suspender as colaborações e a participação de comentadores, colunistas e analistas que sejam candidatos eleitorais nas próximas legislativas e autárquicas. Como é habitual, os erquianos já explicaram que não é bem isso. Que a intenção dessa directiva é abrir os programas de televisão, as páginas dos jornais e o tempo na rádio a outras sensibilidades políticas. Ainda bem que esclareceram. Só falta exigirem que os representantes das diversas tendências políticas sejam seleccionados por ordem alfabética para se concretizar esse mundo perfeito de equilíbrio partidário. Sem querer ser chato, a malta da ERC tem um problema neurológico muito sério. A igualdade de tratamento ou de oportunidades nada tem que ver com a liberdade de opinião. Se assim fosse, a ERC podia exigir que os idiotas tivessem tanto tempo de antena como os inteligentes. Isso, claro, se aceitarmos que os inteligentes têm todos tempo de antena ou escrevem artigos nos jornais, o que não é o caso. Outro problema neurológico de que a ERC padece é acreditar no mito da imparcialidade informativa ou da obrigação de os meios de comunicação protegerem o mistério da objectividade. Um jornal não tem o direito a ser tendencioso? O Avante tem a obrigação de dar uma coluna regular a Paulo Portas? O jornal do Benfica deve ter uma página assinada por Pinto da Costa? Há pessoas inocentes que ainda acreditam que Marcelo Rebelo de Sousa é uma vantagem para o PSD? A ERC é um organismo amorfo que desde que foi criada não colaborou para um jornalismo melhor em Portugal. Só promove para o mal de Portugal e da democracia, fomentando um jornalismo menor e preconceituoso. Como se neste país alguém precisasse de ajuda para tal coisa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:43
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO