Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

O Bloco de Esquerda exigiu ontem que o Governo explicasse em que consiste o regime especial de vigilância a aplicar aos dois cidadãos sírios detidos em Guantánamo que chegam a Portugal este mês."Estamos a exigir ao Governo que explique o que é este regime especial de vigilância e porque é que declarou que não seria aplicado um estatuto de refugiado político", disse o deputado do BE, Fernando Rosas. Sou sempre a favor da defesa da liberdade individual, mas não posso concordar com as preocupações do Bloco. Estes rapazes sírios vêm para Portugal porque não podem voltar ao seu país. Não me perguntem porquê, mas demos este perigo como uma garantia. Todas as pessoas reclamam contra Guantánamo, mas depois ninguém quer saber dos arguidos liberados. Um acto de solidariedade do nosso Governo é agora posto em causa pelos nossos esquerdistas com representação parlamentar só porque os sírios vão estar sob vigilância. Peço que sigam o meu raciocínio. Estes homens, oficialmente inocentes, correm perigo de vida. É natural que com Guantánamo no curriculum não possam ser recebidos comos imigrantes normais. O mínimo que podemos fazer, além de os receber no nosso país, é oferecer-lhes vigilância. Se sobreviveram no meio de uma guerra contra o terrorismo e logo a seguir, sobreviveram aos interrogatórios radicais que faziam em Guantánamo, é normal que ninguém queira que lhes aconteça alguma coisa de mal no nosso território. E, atenção, não digo isto só por terem a cabeça a prémio junto dos seus compatriotas fundamentalistas. Acho que esta questão até pode ser controlada com um pouco de prudência. O problema é a criminalidade emergente em Portugal. Ninguém está a salvo. Não queremos nada ler num jornal estrangeiro um título como “Ex-prisioneiros de Guantánamo declarados inocentes mortos em Portugal por um gangue especializado em turistas exóticos”. E é melhor nem pensar no que pode acontecer se tiverem filhos pequenos e os instalarem no Algarve. Era uma vergonha e só ia servir para prestigiar a segurança da tal prisão americana em Cuba que tanta indignação provocou entre as pessoas de bom coração. Vigiemos os sírios, pelo seu próprio bem e pelo bem do nosso país e da sua indústria turística. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:47
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