Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Tem havido nestes últimos dias muita conversa sobre as listas de candidatos dos partidos políticos. Já li delírios sobre uma suposta ética de cidadãos, que, tendo pertencido a um partido, aceitam ser candidatos por outro. Da mesma forma, li sobre partidos que privilegiam cidadãos independentes ou de outra história partidária para os incluir nas listas. Não faltam os que não incluem militantes só porque sim ou só porque não. Não sei se é resultado do calor estival ou do tédio, mas todas estas discussões geradas por estas escolhas, perturbam muita gente. Num país como o nosso, objectivamente pequeno, é normal que as pessoas, nalgum momento da sua vida, façam ou tenham de fazer actividades laboralmente contraditórias ou ideologicamente divergentes. Quantos comunistas passaram para o Partido Socialista? Quantas pessoas competentes nos seus partidos não foram nomeadas em listas eleitorais? Quantos cidadãos foram seduzidos ou tentados por outros partidos aparentemente inconciliáveis? Quantos homens se casaram com a irmã errada? Quantas mulheres abdicaram do amor com um pelintra para serem as pelintras de maridos ricos e, com sorte, amáveis? Todos vivemos, ou devíamos ter vivido, a angústia da escolha ou a angústia de sermos ou não escolhidos. Acredito que a vida é uma constante réplica de situações que com o tempo vão sendo mais complicadas, às vezes mais sofisticadas, com sorte mais transcendentais, e normalmente mais banais. As instituições, os partidos, os clubes, a vida social só diverge nos sujeitos. As relações entre eles repetem sempre uma cena essencial da vida de todos nós. Ninguém tem razões para se escandalizar, se observarmos o interesse como explicação e motor de algumas dessas associações. É por isso que quanto mais vivemos e mais espectáculos interesseiros presenciamos, mais ligamos ao nosso amigo do peito, ao nosso amor de sempre, e rimos juntos com esta coisa de quem vai para onde, porquê e como vai tudo acabar. E rimos, rimos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:50
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