Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Os Mundiais de Atletismo de Berlim contaram com a espectacular prestação do jamaicano Usain Bolt e tiveram a sua polémica sexual com a sul-africana Caster Semenya. Depois de ganhar a corrida de oitocentos metros por dois segundos de diferença, eis que as autoridades da Federação Internacional de Atletismo suspeitaram que a rapariga se calhar não era uma rapariga. É muito triste haver homens que julguem as pessoas em segundos e não com a intuição masculina que nos safa de situações embaraçosas como confundir um travesti com uma mulher alta. Não sou perito em performances atléticas, mas bastava ver a rapariga na linha de partida para desconfiar de alguma coisa. O búzio de adolescente, as minúsculas ancas e o cabedal das costas não enganavam nem um eunuco. No entanto, parece que na África do Sul ninguém duvida da feminilidade de Semenya. O que me leva a pensar que os sul-africanos, em questão de namoros, não fazem muitas perguntas. É sempre a aviar. É pena que não tenham viajado fora do país. Assim podiam perceber que não é o mesmo nas grandes cidades europeias. Talvez só no interior da Inglaterra, onde uma Susan Boyle pode viver em paz. No interior de Portugal, podemos encontrar Semenyas, à falta de melhor. Ou, vá lá, em França, que são mais perversos, até pode ser chique ter uma Semenya como amante. Mas normalmente não é assim. Os sul-africanos são burros. Se a rapariga tivesse ficado em último, ninguém se preocupava com o look masculino da atleta. Se tivessem previsto que a Semenya podia ganhar, tinha sido fácil eliminar qualquer suspeita. Começava por se fazer uma depilação total a laser, um penteado menos Maria-rapaz, um batonzinho, que é sexy, maquilhava-se um pouco os olhos, punha-se um colar de ouro com os brincos a condizer ou uma tatuagem ousada, com uns dizeres em swahili: “Sou feia mas boa” ou “não tenho mamas porque acho ordinário” ou “gosto de correr perigosamente”. Enfim, coisa deste género. Mas não. Os sul-africanos, arrogantes, quiseram exibir o tamanho da sua heterossexualidade. Eles não se importam que elas sejam gordas ou feias ou que tenham três vezes mais testosterona que o normal. Não precisam de mariquices europeias para serem seduzidos. É uma questão cultural, só vos digo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:27
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Comentários:
De Óscarito a 3 de Setembro de 2009 às 16:19
Se todos os atletas participassem nús o problema estaria resolvido.
Ou se calhar não...!


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