Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

O Presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, proibiu por despacho, a assinatura de protocolos com o Serviço de Informações da República (SIS) e com o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), com qualquer entidade regional. O título dado pelo Diário de Notícias foi o seguinte: “Jardim proíbe espiões nos serviços públicos por despacho”. Confesso que nunca imaginei que os espiões pedissem autorização para espiar. Concebi então, nos meus delírios mais absurdos, que um governante pudesse aceitar que os seus subordinados fossem espiados por serviços externos ao seu governo. Esclareço que por mais ridícula esta situação me pareça não penso que Jardim tenha feito nem mal nem bem. Fez o que era correcto fazer ante uma solicitação ridícula. Pedir licença para espiar parece-me o contrário da especificidade do acto de espiar. Espia-se para saber o que fazem os espiados sem que eles saibam que o estão a ser. Isto, claro, no mais rigoroso contexto de James Bond, ou de Jason Bourne para os mais novos. Noutro contexto mais sofisticado, como espiar instituições do próprio país, admito que a coisa seja mais delicada. Mas não tão delicada para se estar agora a fazer protocolos institucionais ou levar a votos uma decisão que por definição deve ser discreta; isto para não dizer, secreta. Já sem falar que me parece absurdo que não existam mecanismos de controlo que evitem a solução de espionagem ou de recrutamento de bufos. Se para verificar a honestidade das nossas instituições, temos de recorrer a espiões ou comprar delatores, algo está mal na estrutura da supervisão da instituição. Aliás, se é mesmo preciso que estas actividades clandestinas sejam realizadas, quem pode fazer o mesmo ao SIS e ao SIED? E, sobretudo, a quem há que pedir autorização para assinar o protocolo? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:31
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