Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Ainda não começaram, mas já estou a gostar das eleições que se avizinham. Por exemplo, esta semana, Helena Roseta, do Movimento Cidadãos por Lisboa, afirmou que a impugnação judicial, requerida pelo Partido Nulo, da aliança eleitoral entre o Partido Socialista e o seu movimento, "não tem pés para andar". Segundo argumentou Helena Roseta, há apenas um "acordo de palavra" e não uma "coligação", acusação que exigiria uma formalização em Tribunal. Vou deixar de parte o ridículo da perspectiva de interpretar a lei literalmente. Para todos os efeitos, a ligação entre o Movimento Cidadãos por Lisboa e o Partido Socialista é uma coligação que não ousa dizer o seu nome porque simplesmente não é permitido que se chame… coligação. Contudo, não tenho dúvidas de que Helena Roseta e os seus colegas do Movimento Cidadãos por Lisboa possam apoiar, coligar, associar, namorar ou vereadar municipalmente com quem quiserem. O engraçado foi a afirmação de que a acção levada a cabo pelo Partido Nulo é "ferida de nulidade", além de ser feita por um partido cuja existência desconhece. Um partido chamado Nulo que faz uma acção judicial “ferida de nulidade” é coisa para contar aos nossos netos. Como se não chegasse, Helena Roseta confessa que ainda por cima a acção é feita por um partido cuja existência desconhece. O partido Nulo existe desde os primórdios da democracia. A diferença é que só agora está organizado e formalizado em tribunal. A menos que tenha sido declarado Nulo, coisa que vai dar ao mesmo já que legitima os seus princípios. Admito que o Partido Nulo não tenha hipótese de chegar a ser eleito, apesar de coligado com o Partido do Voto em Branco. Ninguém imagina que o Partido Abstencionista não consiga, como é normal nos últimos vinte anos, a maioria relativa. Mesmo assim, saúdo Manuel João Ramos, presidente do Partido Nulo, pela militância cívica de tentar dar voz aos eleitores mudos, cépticos, pessimistas ou que apenas não saibam fazer uma cruzinha certinha no quadradinho do boletim de voto. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:35
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