Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Aquele provérbio que diz que no amor e na guerra tudo é permitido continua a ser sábio. É verdade que o tratado de Genebra no segundo caso e o bom carácter, no primeiro, limitam qualquer excesso. No entanto, as excepções são muitas. Se a guerra inclui petróleo, países africanos, islâmicos fundamentalistas, isto não se aplica. E se o nosso objecto de amor inclui irmãos que pertencem a um gangue ou pais que fazem parte do crime organizado, tampouco. Em Portugal, como não estamos em guerra e somos quase todos casados, a agressividade é canalizada para o trânsito e para as campanhas eleitorais. Nestes terrenos, os tribunais regulam os excessos sempre e quando foram da ordem da ilegalidade. Mas para os episódios, que apesar de lícitos, a boa educação condena, não há organizações que regulem aquilo que se pode ou não fazer. Precisei desta introdução chata e comprida para vos dar o contexto de um momento chocante e cruel que aconteceu este fim-de-semana. Carolina Patrocínio, mandatária da Juventude Socialista, apresentadora de televisão, famosa pela sua contribuição nos concertos do Rock in Rio, que pede à empregada que lhe tire os caroços de certos frutos e que prefere fazer batota a perder, foi, no meu entender, maltratada. Concordo que a sua aparência e idade não lhe permitem dizer falas dignas de Mae West, conhecida, entre outras provocações, pelo famoso "descasca-me uma uva". Mas isso de não gostar de perder faz parte dos nossos tempos. Não vejo qual é o drama. A sua afirmação feita no comício socialista de sábado, em que manifesta a sua satisfação com o fim da recessão, também é digna de respeito pois é dita por uma jovem que acredita no seu partido. O que não posso aceitar é que se insinue que Carolina tenha sido aconselhada pelos seus superiores a não prestar declarações e a não dar entrevistas. Seria absurdo. Carolina foi escolhida para ser mandatária da Juventude Socialista por causa da sua popularidade e juventude. Não permitir que seja popular e jovem é ridículo. Que eu saiba não vai ser deputada. Não se lhe pode exigir a militância gay de Miguel Vale de Almeida nem a cultura indissimulável de Inês Medeiros. Eles, sim, foram escolhidos pelos seus princípios inabaláveis. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:39
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Comentários:
De Óscarito a 3 de Setembro de 2009 às 16:23
Se as exigências culturais e intelectuais são niveladas à medida dos objectivos, então estes não devem ser muito elevados.


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