Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

O PSD acusou o Governo de ter utilizado dinheiro público da empresa Rave, Rede Ferroviária de Alta Velocidade, para fazer propaganda eleitoral socialista a favor do TGV, e anunciou que apresentou queixa desta situação à Comissão Nacional de Eleições. Sinto-me na obrigação cívica de acalmar os partidos e de tomar o prudente distanciamento ante as contingências próprias destes momentos eleitorais. Independentemente da justiça ou injustiça de alguma iniciativa eleitoralista, há princípios e usos que devem prevalecer. Para começar, é um hábito democrático universal que, quando se abre o combate partidário, o partido no Governo, em termos futebolísticos, joga em casa. Todos os partidos que alguma vez estiveram no poder sabem disso e é infantil fazer de conta que não e olhar para outro lado a ver o comboio passar. Todos sabemos que, mais tarde ou mais cedo, se vai fazer o TGV. O que se discute nestas eleições é o momento e não o comboio. Se esta propaganda ferroviária tem alguma malandrice eleitoral é porque faz parte do jogo. Pela minha parte, estou mais preocupado com a alienação da nossa cultura. Vejamos que nos anos de governo socialista os neologismos e anglicismos foram usados e abusados para dar um toque internacional e jovem às suas iniciativas. Lembro-me do Simplex e do ainda mais ridículo Allgarve. Quando apareceu o computador Magalhães até achei estranho que não o tivesse sido baptizado com um nome como Portutronic ou Portusoft, em homenagem à Microsoft. Agora descobrimos que a instituição que tutela o TGV se chama RAVE. Todos os eleitores noctívagos e festeiros sentem-se com certeza tentados a pronunciar reive à inglesa, com excepção dos mais castiços que sempre disseram ráve à portuguesa. Aos maiores de setenta anos, explico que uma rave é uma daquelas festas de arromba, que quando acabam no dia seguinte ninguém se lembra de nada. Reparem que o organismo se chama Rede Ferroviária de Alta Velocidade. O acrónimo natural seria RFAV ou até podia ser REFAVEL. Mas RAVE? Só se quiserem enganar os mais novos. Imaginem o sucesso de um slogan como este: “Com o PS vamos ter uma rave de dez anos!” Se fosse mais novo, até votava duas vezes. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:02
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