Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Hoje começam os confrontos directos entre líderes partidários na televisão. Ontem tivemos uma última entrevista a solo do primeiro-ministro a Judite Sousa. A primeira impressão que tive é que a Judite não é rancorosa e isso é uma qualidade. Porém, escusava de sorrir tanto a cada gracinha ou informalidade do entrevistado. Sócrates, por sua vez, é um exemplo de que os ansiolíticos funcionam. O Primeiro-ministro esteve afável e substituiu a já lendária agressividade por uma paciência de santo. Explicou e tornou a explicar os feitos da sua governação. Contudo, a maior novidade foi desenterrar um antigo e clássico argumento da luta entre a esquerda e a direita: a juventude contra a velhice. Embora seja um tópico relativamente fácil de rebater em meios académicos ou em tertúlias alcoolizadas, eleitoralmente pode funcionar muito bem. Os eleitores, além de quererem viver melhor, também querem ser jovens. O problema desta aposta ideológica é essa bandeira já ter sido apropriada pelos putos do Bloco de Esquerda. Sócrates conseguirá ser mais jovem que os jovens do Bloco? A repentina juventude do Partido Socialista será mais jovem que a juventude prematuramente envelhecida dos bloquistas? Os cotas do Partido Comunista farão um lifting ou um peeling para ganhar simpatizantes e ganhar esta competição de juvenilidade? Não sei. Como também não sei o que fará a direita para se defender desta acusação de vetustez e ancianidade. Não imagino Manuela Ferreira Leite decotada e de calças de ganga. Também não acredito que Paulo Portas adopte as t-shirts e ponha um piercing na sobrancelha. O debate eleitoral está lançado. Mas num país de velhos como o nosso, ao menos já sabemos que os votos de todos aqueles que estejam a viver uma crise de meia-idade serão decisivos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:07
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