Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Ontem começaram os debates entre os líderes partidários com assento na assembleia. As regras foram negociadas entre jornalistas e representantes dos partidos. Cheira-me que estes últimos ganharam. Só assim se compreende que os debates sejam feitos desta forma aborrecida. As regras dão inevitavelmente um limite de tempo (dois minutos e trinta segundos mais um de réplica). É aceitável. Mas esse tempo é distribuído para cada um dos seis temas. Concordemos que é um pouco confuso acreditar que todos os temas possam serem respondidos na mesma quantidade de tempo. Mas pronto, até podemos admitir esta possibilidade. O maior erro, e tenho a certeza de que os responsáveis não foram os jornalistas, é não haver um lugar “legítimo” para o debate propriamente dito. Quando Portas e Sócrates insinuavam um confronto frontal, estavam cientes de que estavam desrespeitar as tais regras. Se tivessem sido bem comportados do princípio ao fim, o tal frente-a-frente não teria passado de duas entrevistas paralelas feitas em simultâneo. Coisa que, diga-se de passagem, seria chata e não interessaria nem ao menino Jesus. Estas regras provocaram uma espécie de debate soft, sobretudo se o comparamos ao hard-core a que nos habituámos nos debates na Assembleia da República. Como se fosse pouco para diminuir a espectacularidade possível nos debates, a nova imagem do Primeiro-ministro de simpatia e tolerância não ajuda nada a inverter o aborrecimento destes serões televisivos que nos esperam. Para já podiam mudar o nome e deixar de lhes chamar frente-a-frente e passar a tratá-los por lado-a-lado. Era mais correcto. Outra iniciativa interessante seria fazer outra série de debates paralelos em canais por cabo entre os líderes partidários sem assento na Assembleia, e, claro, com outras regras. Mais do tipo vale tudo menos tirar os olhos. Julgo que a democracia ficava a ganhar. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:09
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