Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Amanhã jogamos a classificação para o próximo Mundial contra a Dinamarca. Suponho que todos estamos à espera que o Ronaldo faça um brilharete decisivo no resultado. Enquanto não começa o jogo gostava de lembrar uma declaração recente de Ronaldo em que afirmava que se Deus não agrada a todos, porque havia de ele, Ronaldo, agradar. Na semana anterior, um treinador de um clube argentino com o simpático nome Gorosito fez uma afirmação parecida. “Se Deus não é unânime, porque hei-de eu sê-lo?”. Não me interessa saber quem plagiou quem. O que me interessa é saber que tipo de ego tem uma pessoa de ter para fazer uma analogia hiperbólica como essa. Mas não é original. Lembro-me de até os Beatles terem afirmado que eram mais populares que Jesus. Parece-me indiscutível que a fasquia da popularidade tem sempre a altura da reputação de Deus e de todos os seus heterónimos. No entanto, há uma certa estupidez grave em querer defender-se de alguma contestação ou em decretar o próprio êxito comparando-se a uma divindade. Para começar, é impossível de verificar. Vejamos o exemplo de Ronaldo. Num mundo tendenciosamente ateu diriam ao avançado português, que não, que ele certamente agrada mais que Deus. Por outro lado, no mundo muçulmano, estranho que ainda não tenham declarado uma fatah contra o jogador. Ronaldo devia ter um aconselhamento para que as suas formulações bombásticas fossem mais credíveis. Podia ser uma coisa mais assim: “Se Angelina Jolie não agrada a todos, porque hei-de eu agradar”. Esta, por acaso, podia ser mal interpretada. Há que substituir por Brad Pitt ou por algum produto muito popular como a Coca-Cola. Se Ronaldo teima em ser megalómano, pode comparar-se a pessoas que de facto conseguiram alguma coisa muito parecida com a unanimidade. Por exemplo, o recordista Usain Bolt, que toda a gente adora, ou Mark Phelps, com quem até os rivais gostam de perder. Estas comparações estariam a altura do ego de Ronaldo. Julgo que Deus é pouco para ele. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:11
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