Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Alberto João Jardim insultou “os medíocres que se preocupam” com o facto de Manuela Ferreira Leite ter usado um carro do Governo Regional da Madeira, pertença do Estado, na visita que realizou à Madeira, no âmbito da campanha eleitoral para as eleições legislativas. Depois, face à insistência dos jornalistas, acrescentou: “Fuck them", que em português significa que façam amor, mas dito de uma forma um tanto ordinária, usando um verbo que em vernáculo também começa por éfe. É óbvio que a história de utilizar um carro oficial é insignificante em termos políticos e mesmo rodoviários. Como dizia um amigo meu, quando se conduz na Madeira é impossível passar da terceira mudança. Mas Alberto João Jardim tem essa peculiar qualidade da originalidade inata. Se Midas convertia em ouro tudo aquilo em que tocava, tudo o que diz Jardim torna-se um facto político ou precedente na jurisprudência. A utilização de uma língua estrangeira minimiza o impropério? Se fosse o caso, poder-se-ia utilizar vocábulos forasteiros para exprimir publicamente sentimentos que ditos na língua de Camões seriam condenáveis pelos bons costumes? Os estrangeiros não são tão malcriados como os portugueses? O presidente da Região Autónoma da Madeira abriu uma porta que só nos pode conduzir a um universo epistemológico de consequências imprevisíveis. Atentemos, por exemplo, na popularidade de uma língua como a inglesa. Ainda que não seja falada em Portugal, as suas ordinarices são tão familiares como o odor das sardinhas assadas. Será que a podemos utilizar como um eufemismo civilizado? É evidente que uma ordinarice dita em swahili ou em guarani passaria despercebida mas nem por isso seria menos ofensiva. Por outro lado, que nos mandem fazer amor é mesmo um insulto ou um desejo de felicidade pessoal? Aqueles que levantaram as suspeitas de Manuela Ferreira Leite ter utilizado indevidamente um carro de propriedade do Estado, aceitam ser medíocres mas não aceitam ser obrigados a fazer amor, ou, pelo contrário, agradecem a sugestão, mas ofendem-se ao serem apelidados de medíocres? É o que eu digo: Alberto Jardim rocks e faz as rules. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:41
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