Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

À primeira vista, o balanço dos debates dos líderes transmitidos pela televisão é terem sido um grande sucesso. As audiências foram elevadas e são comparáveis a outros grandes êxitos como o primeiro Big Brother ou um Benfica-Porto. Qualquer produtor de televisão podia perceber o grande potencial que estes frente-a-frente mostraram. Numa sociedade selvaticamente liberal, que não é o caso da nossa, já se estariam a propor contratos de exclusividade aos casais mais populares dos debates: Sócrates com Portas, com Ferreira Leite e até com Louçã. Verificámos que a estrela incontestável foi o Secretário-geral do Partido Socialista. Claro que o pormenor de ser simultaneamente primeiro-ministro e unânime alvo a abater pela oposição, teve a sua quota-parte de responsabilidade para a popularidade. Mas a tensão dramática de um conflito apaixonado diante das câmaras de televisão não tem rival. Curiosamente, houve um líder que, apesar das baixas audiências e conflitos calmos e serenos, foi elogiado por quase todos os analistas e comentadores. Falo de Jerónimo da Sousa. Tenho ouvido os mais rasgados elogios ao líder do PCP até por pessoas histórica, afectiva e ideologicamente anticomunistas. Ninguém tentou sequer destruir os seus argumentos. No pior dos casos, optaram por um paternalista “já se sabe quais são as suas opiniões” ou por um muito agressivo “não vai ser desta que o Jerónimo vai mudar as suas convicções”. E sempre, mas sempre, prefaciadas com um “eu gosto muito” ou um “tenho uma grande admiração pelo secretário-geral do PCP”. Eu, se fosse comunista, ficava chateado e se fosse inteligente ficava preocupado. O PCP ter-se-á tornado uma instituição que faz parte do património histórico da Assembleia da República? Talvez o facto de o PCP não se aliar a ninguém e os números de votos serem mais ou menos constantes, faça com que todos vejam no partido alguém aborrecido e previsível. Como um avô sempre presente nos almoços familiares e que há que aturar, por uma questão de respeito, mas a quem ninguém liga nenhuma. É normal, as histórias são sempre as mesmas. Mas todos gostamos dele e sabemos que é muito querido, e que quando era novo, as raparigas fugiam só de o ver. Mas esses anos já lá vão e não sei se isso é bom. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
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