Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Estou a gostar desta moda de internacionalizar as eleições legislativas. Não porque faça algum sentido mas porque gosto que falem de nós no estrangeiro. Contudo, no caso da entrada da Espanha na campanha, parece-me completamente desnecessário. Julgava que discutir investimentos públicos versus endividamento tinha pinta. As discussões com os taxistas tinham subido o nível. “Oh, meu amigo, a mim tanto se me faz o TGV fazer-se ou não, mas se há trabalho é bom. A malta vai ter dinheiro e vou ter mais clientes.” Ou a alternativa: “Já temos dívidas que se farta, homem! Para que queremos ir mais depressa a Badajoz se não há dinheiro para apanhar um táxi? Estamos a brincar, ou quê?”. Agora a coisa baixou de nível. “Estes espanhóis são uns ladrões” ou “já compraram a Avenida da Liberdade” ou “acho bem que venham mais depressa para Portugal, assim ganhamos algum”. Francamente, não é o mesmo. No entanto, sou dos que ainda acreditam que só em raras ocasiões os políticos fazem declarações irreflectidas. Quando Manuela Ferreira Leite tira o coelho espanhol da cartola alguma coisa quer fazer com isso. O apelo inesperado ao proteccionismo terá, então, algum objectivo eleitoral. Sabemos que é irrelevante para Espanha que Portugal tenha ou não TGV. Eles mesmos o construiriam mesmo que acabasse em Badajoz. Mas, por agora, esta declaração de independência ante o poder castelhano continua a ser para mim um enigma ou uma publicidade encapotada à Quadratura do Círculo: temos de esperar que Pacheco Pereira nos explique a razão intelectual desta espanholada. O pior de tudo é que o exemplo da Manuela foi seguido e agora temos o Louçã a meter-se com os capitais angolanos investidos no nosso país. Parece-me injusto e discriminatório. Angola tem tantos ou mais direitos que a Venezuela, a China e a Rússia. Porem, é uma atitude corajosa do líder bloquista. Segundo me dizem, se Francisco Louçã insistir muito, não vai haver nenhum benfiquista que vote no Bloco de Esquerda. Ninguém quer ver Saviola, Garcia ou Ramirez pelas costas. Talvez seja um estratagema para ganhar votos no Porto, em Braga e nos arredores futebolísticos. Sei lá. Esta campanha eleitoral está a ter contornos maquiavélicos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:02
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