Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

O Público encontrou a resposta à pergunta sobre como os jornalistas estrangeiros estão a ver as campanhas eleitorais em Portugal. As legislativas não estão a entusiasmar os media internacionais. E os correspondentes em Portugal dificilmente conseguem “vender” material informativo para os seus órgãos de comunicação social. Julgo que isto é um elogio. Que os correspondentes estrangeiros estejam aborrecidos em Portugal é uma prova de que o nosso país é bom para viver e mau para trabalhar. Mas isso já todos os portugueses sabiam. Queixam-se de ser “uma campanha muito doméstica” e que “não há risco de bombas explodirem em hotéis portugueses.” Que pena tenho eu! Espero que, pelo bem deles, os patrões da comunidade de correspondentes estrangeiros não oiçam estes queixumes. Senão ainda são capazes de os enviar para o Darfour, onde, lá sim, se houvesse umas improváveis eleições seria uma festa continua. Não suporto gente que fica triste ante a felicidade e bem-estar dos outros. Portugal pode ter muitos defeitos mas ninguém pode dizer de ânimo leve que somos um país para aventureiros. Se os correspondentes estrangeiros querem ter uma vida à Indiana Jones, outros sítios não faltam no mundo para viver perigosamente. Mas, para nós, a excitação que aumenta os nossos níveis de adrenalina quase até à paragem cardíaca são provocados pelos factos subtis que, percebo bem, são incompreensíveis para quem foi correspondente na Faixa de Gaza, em Bagdade ou na selva colombiana. Uma Ferreira Leite, que mostra mais subtileza num programa humorístico que quando debate com o primeiro-ministro, ou um comício do Partido Socialista, num bastião do PCP, que é interrompido por causa de dois comediantes armados apenas de um megafone e uma guitarra, como aconteceu no Seixal, não os anima. Esta trama delicada como uma filigrana poderá ser pouco para os correspondentes estrangeiros de escassa sofisticação. Mas, para nós, portugueses e civilizados, isto é uma mudança radical nos costumes nacionais. Quem não perceba isso, é melhor que peça transferência para a Venezuela ou para a Chechénia. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:46
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