Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Para dar um toque bíblico às eleições legislativas, diria que ao sétimo dia o povo fez a Assembleia. Como dizia um filósofo esquecido, que afirmou que Deus fez o melhor mundo possível, tenho a certeza de que o povo português fez a melhor Assembleia possível. Que José Sócrates continue à frente do executivo mostra que em Portugal até a esquerda é conservadora. Ninguém quer uma mudança brusca. Por outro lado, aumentou o crédito ao CDS-PP, para continuar a morder, e deu mais decibéis ao Bloco, para que continue a ladrar. Deu-lhe uma espécie de estatuto para poder continuar a ser o grilo falante da Assembleia, mas que não pode tocar no bolso de ninguém. Nem sequer do Estado. O PCP também foi abençoado pelo bom gosto. Um Parlamento sem comunistas não é um parlamento. Fica bem, e é bom que esteja lá como o grilo do grilo. O PSD também foi honrado com o carinho popular. Potencial e historicamente tem tudo para ser o papão dos socialistas. “Se não te portas bem, olha que chamamos os laranjas”. Nestas eleições pode-se debater muito quem é mais vencedor ou quem é mais perdedor, mas ninguém pode discutir que houve justiça popular, no sentido democrático da palavra popular. Bons tempos se aproximam apesar de muitos acharem que o governo que vai governar será um governo a prazo. Primeiro, porque, felizmente, todos os governos são a prazo. Quer seja mais curto ou mais longo, é indiferente. Segundo, porque ao não haver um partido que possa dar um debate por terminado, obriga todos a serem mais apurados nos seus argumentos. Ao não haver um vilão nem um herói, todos podem ser candidatos à vilania e à heroicidade pelo menos uma vez em qualquer debate parlamentar e qualquer lei que se aprove. Estou contente. Confesso que se tivesse menos dez anos e mais dez litros de gasolina, tinha ido ontem a todas as sedes dos partidos só para buzinar de alegria. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:27
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