Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Faz parte dos costumes que em época de eleições os governos em exercício façam inaugurações e anúncios das suas últimas realizações. Fica sempre bem uma nova ponte ou uns quilometrozinhos asfaltados. Todos os ministérios, como não podia deixar de ser, dão o seu contributo para o orgulho do governo e para o progresso do país. Por exemplo, e para não ir mais longe, ontem, o Senhor Ministro da Justiça, Alberto Costa, com a satisfação do dever cumprido e do trabalho árduo que deu os seus frutos, declarou no Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz: "A morte do balde higiénico estava traçada há muito, mas passaram-se décadas até ser conseguido. Nós propusemos acabar e conseguimos”. É verdade e já não era sem tempo que o balde higiénico fosse erradicado das cadeias portuguesas. Foi certamente um trabalho sujo, mas alguém tinha de o fazer. Enquanto outros colegas falam das novas tecnologias, das energias renováveis, dos triunfos alcançados ante a crise ou do casamento homossexual, Alberto Costa não tem estômago delicado e fala, terra a terra, de um problema que só à porta fechada os mais corajosos ousam mencionar. Não quero pensar as lutas intestinais que deve ter travado contra a burocracia e os interesses da poderosa indústria dos baldes. Um ministro que dá a cara num assunto tão entranhável para todos os prisioneiros é um ministro que não está à procura de votos. Não só porque nas prisões portuguesas haja muitos estrangeiros, mas também porque aqueles que votariam já votaram antes da solene e oficial abertura dos sanitários. A justiça neste país poderá ser lenta, mas agora é mais confortável. A partir de agora, todos os 23 de Setembro serão assinalados como dias feriados nas prisões portuguesas. Alberto Costa já tem o seu lugar na história. Onze Mil reclusos aflitos agradecem. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:29
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