Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

O Presidente da República, Cavaco Silva, falou ontem ao País e conseguiu que o Governo e a oposição estivessem de acordo. Todos concordam que falou tarde. Mas pronto, está feito. O mais importante é que todo este problema de espionagem não passou de uma paranóia e o Presidente estava mesmo chateado porque não gosta de ser pressionado. Isso, ao menos, ficou claro. O que preocupa os analistas e políticos é se este amuo de Cavaco Silva é um prelúdio de uma espécie de cena de violência doméstica que se avizinha entre o Presidente e o Primeiro-ministro. Penso que não e até posso explicar. O sistema democrático português institucionalizou entre as duas principais figuras do Estado aquilo a que podíamos chamar um casamento arranjado, em que o povo funciona como casamenteiro. A mulher vive em São Bento e o pai distante em Belém. Estão obrigados a colaborar e, para continuar a analogia, a cuidar dos muitos filhos que somos todos nós. Não é natural que os filhos escolham os pais, mas neste caso é assim. Obviamente, não podemos obrigar os pais escolhidos que se amem. Só que trabalhem e cuidem de nós. Até se podem amar mas é raro. Aconteceu entre Cavaco e o marido Eanes, mas foi um casamento breve. Também aconteceu entre Sócrates e Sampaio, mas além de ser breve foi um tanto ou quanto incestuoso, por isso não conta. O que aconteceu agora, mais que uma zanga entre marido e mulher, foi uma zanga do Presidente, quero dizer do marido, com a família da sua esposa. É inevitável no casamento às vezes não ter paciência para a família da mulher. Sobretudo quando andam a competir com a nossa e somos obrigados a ser imparciais. Visto assim, parece-me natural que o Presidente, o marido, desabafe diante de todos e diga que está zangado, que não está para aturar as bocas dos cunhados da mulher, que é o Primeiro-ministro. Mas não tenho dúvidas de que, em privado, a conversa vai ser outra, senão a única alternativa que temos é contratar um conselheiro matrimonial. Não sei se está previsto na Constituição, mas devia. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:41
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