Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

O presidente do Governo Regional da Madeira anunciou que vai apresentar na próxima terça-feira nos tribunais uma “participação-crime” contra a PSP. Isto porque numa inauguração oficial, a Brigada de Intervenção Rápida da Polícia de Segurança Pública teve de intervir para proteger os militantes do PND. Estes penedianos mostraram o seu descontentamento com o governo regional. Os populares que presenciavam o acto, que eram mais numerosos que os manifestantes, responderam. A Polícia protegeu a minoria contestatária e Jardim não gostou. É certo que não é habitual que a Polícia reprima o público e defenda os perturbadores da ordem mas a PSP teve de escolher entre reprimir os insurrectos, que eram poucos, ou reprimir os cidadãos indignados, que eram muitos. Normalmente, os mais ameaçam a segurança dos menos. Julgo que fizeram a melhor escolha. Proteger os indefesos, seja eles quem forem, é um dever de qualquer ser humano, independentemente de ter ou não ter farda. Mas Alberto João é um afectivo temperamental. Ele não admite dilemas morais. Ou melhor, essas coisas não existem quando há amor. Tanto é assim que agora nem quer a PSP para a sua segurança pessoal. Isto é uma história de faca e alguidar levada à vida democrática. E está a fazer escola. Começo a pensar que os nossos governantes estão a deixar-se levar pelas emoções e pelos sentimentos. Sabemos que a partir de certo momento o nosso primeiro-ministro começou a não controlar uma certa tendência para a cólera. Agora está muito melhor, embora ainda mostre alguma impaciência, sobretudo quando é interrogado pelos jornalistas. Para o espanto de todos nós, que somos seus familiares, o nosso Presidente também mostrou uma faceta nova na sua última e já famosa declaração. Uma ligeira paranóia e indignação acumuladas revelaram um homem chateado, como um dos tantos funcionários públicos por quem alguma vez tivemos a má sorte de sermos atendidos. Até agora, estávamos habituados só a Alberto João Jardim a não ter reparos em mostrar os seus sentimentos. Presentemente, já não são assim tão poucos. A discrição sentimental portuguesa está a perder-se e com ela as boas maneiras que ajudam a esconder a indelicadeza íntima. Quando mais sinceros, menos educados. Gostava mais como era dantes. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:48
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