Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
Os Estados Unidos estão a viver uma festa eleitoral com quase duas eleições por semana também chamadas caucus. É engraçado ouvir a palavra "caucus", que se pronuncia "kôkes", em tudo quanto é notícia. Na verdade não interessa como se pronuncia caucus porque como vem do latim não vão ser agora os anglo-saxões que nos ensinam a pronúncia. Caucus significa hoje em dia "um encontro de habitantes de uma comunidade de um determinado partido para escolher um representante". O mais engraçado é que o significado original de "caucus" era copo ou recipiente para beber. O que me faz pensar que o primeiro caucus deve ter começado algures no passado com uma bebedeira em que foi escolhido um otário para ir em representação da aldeia implorar a um senhor feudal que deixasse de exigir as virgens locais, ou qualquer coisa desse género. O tal otário nunca mais deve ter regressado. A partir desse momento, sempre que se escolhia alguém para fazer uma tarefa ingrata, a malta dizia “embora fazer um caucus” quem é como quem diz "vamos para os copos" e lá iam todos contentes ao bar da aldeia eleger o gajo. O tempo passou, as obrigações cívicas mudaram mas os caucusses sobreviveram. Já não se embebedam nem têm de suplicar pelas virgens ao senhor feudal, mas os cidadãos continuam a ter de escolher alguém que os represente. Hoje um caucus é uma coisa civilizada e abstémia. O problema talvez seja que se tenham desviado da tradição e que seja uma cerimónia abstémia. É preciso não esquecer que estavam sóbrios quando escolheram gente como Jimmy Carter e o actual Bush. Se calhar, voltando à tradição do caucus, com os copos, este ano a escolha possa ser mais acertada.

Adenda: este texto é uma homenagem ao clássico da blogosfera Etimologia hebdomadária.

Publicada por Carlos Quevedo às 23:20
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