Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Li com interesse que a próxima legislatura será uma legislatura das sondagens. Ao ter que negociar lei a lei, vai ser pela avaliação do sentimento público que a oposição e o PS poderão ou não entender-se. As empresas de sondagens serão uma espécie de cartomante ou astróloga que ditará se as cartas ou os astros são favoráveis para qualquer iniciativa de relevo. No entanto, é certo que recorrer às sondagens é uma maneira democrática de orientar a política. Democrática e cara, diga-se de passagem. Os estudos de opinião não são baratos. Ainda por cima, a oposição também vai querer ter, pelo sim, pelo não, as suas próprias pesquisas. É evidente que não há dinheiro para fazer uma sondagem por dá cá aquela palha. Ou uma lei, para o caso. Suponho que à falta de bom senso, poderá haver uma discriminação valorativa das leis por que valham ou não a pena gastar dinheiro em profissionais da opinião. Por exemplo, podem ser poupadas as despesas de investigação sobre as leis direccionadas aos direitos das minorias, pela simples razão de que uma minoria não faz um Verão. As leis que mexam com o dinheiro dos portugueses também não, por razões óbvias. Podemos verificar um padrão. Qualquer lei que tenha importância numa futura convocação eleitoral, que é uma sondagem vinculativa, será perigosa seja qual for a sondagem de opinião que não vincula nada. Isto significa que quanto mais determinante for uma lei, mais perigoso será saber o que as pessoas opinam. Isto leva-nos a pensar que as leis cuja aprovação depende de estudos de opinião serão as mais consensuais e, portanto, vão contar com a aprovação da Assembleia. Não tenho nada contra isto. Um pouco de paz legislativa e menos conflitos na rua é o que a gente quer. E tudo graças à intervenção da empresas de sondagens no processo de legislação. É genial! Como não pensámos nisto antes? Espero que ninguém queira agora nacionalizá-las. Não vale a pena. Para isso já tivemos as nossas eleições, que são as sondagens dessa grande empresa que é Portugal. Sendo assim, porque é que precisamos de sondagens privadas? Eu sei, é confuso. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:34
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