Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

O governo apresentou o seu programa de Governo e provocou uma condenação unânime dos partidos da oposição. O argumento mais utilizado foi o de, ao não fazer nenhuma modificação ao seu programa eleitoral, o governo estava a agir como se tivesse uma maioria absoluta no parlamento. Arrogância e provocação estavam implícitas nesta reprovação do programa. Julgo que toda essas opiniões foram uma interjeição prematura e quando isto acontece ninguém fica contente e pode minar um relacionamento. É verdade que, diga-se de passagem, já há uma pílula para impedir o desastre, mas este é outro tema. Voltemos à interjeição prematura. Acredito que ninguém quer acabar com o casamento realizado nas últimas legislativas. Não é bom para ninguém e muito menos para Portugal. Quando nos casamos sabemos que começa uma nova legislatura em que ninguém tem maioria absoluta e que nos vai obrigar a negociar anos a fio, desde o pequeno-almoço da manhã até ao pequeno-almoço da manhã seguinte. Assim é, no melhor dos casos, até que a morte nos separe. Para utilizar um estereótipo esquecido, a mulher tem de esquecer que já não é a menina mimada dos pais e o homem tem de esquecer que já não é solteiro nem vive sozinho. Esta adaptação pode ser mais ou menos dolorosa, mas é sempre possível. A mulher pode querer o pequeno-almoço na cama todas as manhãs e o homem querer sair com os amigos todas as noites. Mas isto não significa que um ou outro consigam o que querem. Então chegam a um acordo entre ambas as partes. Por exemplo, eu não saio à noite mas tu levantas o teu maravilhoso traseiro da cama e fazes as torradas enquanto tomo um duche. Com o governo e a oposição acontece o mesmo. O governo quer continuar a fazer de conta de que é solteiro e a oposição quer ficar na cama até tarde. Ambos têm direito a querer isso mas não é provável que o consigam. E assim, pouco a pouco, o casamento entre concessões e negas, vai se sedimentando. Não digo que vão ser felizes eternamente mas ao menos vão poder viver juntos até que ninguém aguente mais. Entretanto, não estarão a fazer mais que o seu dever. É por estas e por outras que as interjeições prematuras devem ser evitadas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:59
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