Parece que alguns partidos políticos e associações de cidadãos estão a promover um referendo para a legalização ou não do casamento gay. Digo para já que, em geral, não gosto de referendos. Elegemos os nossos representantes na Assembleia da República para que defendam as nossas ideias e os nossos interesses. Quando se convoca um referendo dá-me sempre a impressão de que os deputados estão a delegar no povo a responsabilidade que lhes cabe. No caso particular de referendar o casamento gay, além de delegar, estariam a fazer batota. Mal comparado seria como se o Sporting de Braga em vez de chamar os sócios para eleger a sua direcção fizesse uma eleição aberta a todos os benfiquistas, portistas e sportinguistas. Também ainda não consigo perceber porque é que o casamento é tão importante para os gays. Há tantos direitos mais interessantes que o do casamento pelos quais lutar, como, por exemplo, uma lei da paridade, que obrigue a ter um número específico de gays em tudo o que envolva mais de nove pessoas, associações políticas, religiosas e equipas de futebol incluídas e tantas outras revindicações. Porque têm esta fixação com o matrimónio? Outra coisa que me faz espécie é que esta luta leva os partidos a fazer figuras tristes. Quando li que o novo governo tem como prioridade as obras públicas, o emprego e o casamento gay, apeteceu-me gritar. Vamos ter de esperar que os gays se casem para que o governo considere prioritárias as reformas, a segurança e a corrupção? Se calhar não estou bem informado. Se calhar, ao legalizar os casamentos gay todos os outros problemas vão ser solucionados. Se é esse o caso, então ‘bora lá com o casamento entre homossexuais. Qual referendo, qual carapuça. Organizemos um casamento em massa e já agora simplex, se faz favor. Fora isso, tudo bem.