Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Parece que alguns partidos políticos e associações de cidadãos estão a promover um referendo para a legalização ou não do casamento gay. Digo para já que, em geral, não gosto de referendos. Elegemos os nossos representantes na Assembleia da República para que defendam as nossas ideias e os nossos interesses. Quando se convoca um referendo dá-me sempre a impressão de que os deputados estão a delegar no povo a responsabilidade que lhes cabe. No caso particular de referendar o casamento gay, além de delegar, estariam a fazer batota. Mal comparado seria como se o Sporting de Braga em vez de chamar os sócios para eleger a sua direcção fizesse uma eleição aberta a todos os benfiquistas, portistas e sportinguistas. Também ainda não consigo perceber porque é que o casamento é tão importante para os gays. Há tantos direitos mais interessantes que o do casamento pelos quais lutar, como, por exemplo, uma lei da paridade, que obrigue a ter um número específico de gays em tudo o que envolva mais de nove pessoas, associações políticas, religiosas e equipas de futebol incluídas e tantas outras revindicações. Porque têm esta fixação com o matrimónio? Outra coisa que me faz espécie é que esta luta leva os partidos a fazer figuras tristes. Quando li que o novo governo tem como prioridade as obras públicas, o emprego e o casamento gay, apeteceu-me gritar. Vamos ter de esperar que os gays se casem para que o governo considere prioritárias as reformas, a segurança e a corrupção? Se calhar não estou bem informado. Se calhar, ao legalizar os casamentos gay todos os outros problemas vão ser solucionados. Se é esse o caso, então ‘bora lá com o casamento entre homossexuais. Qual referendo, qual carapuça. Organizemos um casamento em massa e já agora simplex, se faz favor. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:17
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Comentários:
De Zé da Burra o Alentejano a 9 de Novembro de 2009 às 17:16
Não sou homossexual, mas acho bem que se autorizem os casamentos homossexuais. É como diz o ditado popular "Cada um é como cada qual". Agora se a igreja quer ou não abençoar essas uniões isso é lá com ela "; lá está outra vez "cada uma é como cada qual". É claro que muito me espantaria se a igreja católica abençoasse estas uniões que não trazem mal maior ao mundo e que são até do foro íntimo de cada um.
Isto nem deveria ser assunto para polémica mas, infelizmente, é e nem entendo bem porquê?! para mais num país que se diz laico. As nossas leis não devem ser refletir as opções da igreja mas princípios de liberdade. Para isso foi feito o 25 de Abril de 74. Porquê fazer um referendo? para se saber se deve haver liberdade em Portugal para actos que não prejudicam terceiros?

Acho bem que se façam referendos sobre a maneira como combater a criminalidade e a corrupção que nos afecta a todos; se se deve punir mais ou menos os seus autores; agora isto é uma estupidez.... Enquanto andarmos a discutir estas "porras" este país não pode avançar.


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