Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Hoje celebram-se os vinte anos da queda do muro de Berlim. Este episódio histórico foi exaltado como um símbolo da queda do comunismo e da passagem para o sistema capitalista daqueles países chamados de leste. Foi uma festa muito cara e ninguém imaginava que ainda estaríamos a pagar a factura. O mais engraçado disto tudo é serem poucos os países beneficiados que estão satisfeitos com a mudança. Se houvesse um referendo democrático na Hungria, na Ucrânia, na Lituânia e na própria Rússia, muito provavelmente as pessoas votariam para que tudo voltasse a ser como dantes. Não tenho dúvidas de que um regime democrático não é simpático para as pessoas que estavam habituadas à segurança. Mas este é um pormenor compreensível. Julgo que os seres humanos são naturalmente conservadores. O problema é que, quando esse conservadorismo se impregna de melancolia, torna-se reaccionário. Quando 62% dos búlgaros se queixam de o seu poder de compra ter diminuído, parecem não saber que têm 90% da população mundial a concordar com eles. Quando só 37% dos russos acham que é importante a liberdade de expressão, é porque 63% dos russos estão preocupados com outra coisa, como, por exemplo, sobreviver. O problema não é o presente ser incerto. O problema é que o passado, quanto mais passa melhor era. E nada pode competir com a nostalgia. Perde sempre. Nós próprios temos saudades do Bloco de Leste, do demónio comunista e da subversão política. Eram favas contadas comparadas com os terroristas que não têm nos seus planos negociar seja o que for. Até podemos ter saudades do escudo, que era mais amigo do nosso ambiente que o euro. Mas o que está feito está feito. E se foi feito era porque tinha de ser feito. É por isto que, de Leste a Oeste, temos de ser homens e aguentar o presente. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:50
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO