Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Todos os países democráticos escolhem os seus governantes. E o povo desses países fica sempre à espera para ver o que fazem os seus representantes nos primeiros meses de governo. É o nosso luxo. Votamos e, prudentemente, não falamos mais do assunto. Além de ser normal, é também o nosso privilégio. Nós escolhemo-los, agora eles que trabalhem. É assim desde que a possibilidade de estarmos todos reunidos a decidir os assuntos de Estado se tornou impossível. Em Atenas era fácil porque eram poucos. Agora pôr alguns milhões de cidadãos a discutir entre eles o que se tem de fazer, não dá. E mesmo que tivéssemos uma espécie de vídeo-conferência de massas, ninguém teria tempo. Delegar responsabilidades é a base do nosso sistema. Estou a falar destas coisas elementares porque fiquei horrorizado com um artigo do Público que afirmava que os portugueses estavam a sofrer um bloqueio pós-eleitoral sobre a crise. Para defender esta afirmação convidaram vários professores universitários. Curiosamente, todos atestavam a normalidade deste pseudo-bloqueio. O que significa que o jornalista que fez este trabalho não tinha mais nada interessante que fazer. O facto de a nossa atitude passiva ser banal, isso não significa que seja frívola. Pelo contrário, é um direito nosso aguardar que os nossos governantes cumpram as suas obrigações. Ou, pelo menos, que as tentem cumprir. Eu sei que fechar um jornal aos domingos é um trabalho chato e ingrato. Mas não é bom que esta triste característica dominical seja ostensivamente exibida. Sugiro que para as próximas edições de domingos e feriados aproveitem para obrigar a trabalhar os redactores da secção internacional. Tenho cá um palpite que há problemas reais e acontecem coisas sem dúvida mais interessantes que a conduta bloqueada dos portugueses. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
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