Tenho a certeza de que quando o nosso Presidente Cavaco Silva juntou a sua voz à de outros muitos economistas e empresários, que afirmaram que a crise económica era grande mas que também era uma oportunidade para iniciar novos e lucrativos negócios, não se referia aos últimos casos noticiados de ganância malandra. Falo, por exemplo, da maldosa taxa de utilização do multibanco e dos cartões de créditos nas lojas. Ou que para visitar um ou mais imóveis disponibilizados pela agência imobiliária, há que assinar um contrato e pagar, logo à cabeça, 150 euros, que mais tarde aumentam até chegar ao valor mensal da renda (250 euros, por exemplo), com a agravante de se não gostar dos apartamentos que foi ver, o dinheiro não é devolvido. Mais um exemplo, tentar comprar produtos anunciados a preços muito reduzidos num hipermercado, mas nunca os encontrar disponíveis. Percebo a ânsia de fazer negócio numa época em que ninguém tem com que o fazer, mas calma. Estamos todos no mesmo Titanic. É nestes momentos que a honestidade é uma virtude. Não quando estamos todos numa boa. Ser generoso quando se é rico é um dever e é fácil. Estar nas lonas e ser honesto é uma questão de princípio, embora às vezes seja difícil. A propósito de princípios, há tempos que ninguém fala da ASAE. Não quero ser chato, mas lá por os hipermercados, os bancos e as imobiliárias não serem dirigidos por ciganos, não é razão para andar a assobiar ao lado. Parafraseando o nosso impopular Presidente da República, o momento de crise é uma oportunidade para iniciar novos empreendimentos. Comecemos pela integridade e pouparemos vergonha, que é, aliás, a única coisa que nós, portugueses, podemos nestes dias poupar. Fora isso, tudo bem.