Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

A 3 de Setembro, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, emitiu um despacho determinando a destruição das gravações das conversas de Armando Vara com o seu amigo José Sócrates. Por sua vez o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, enviou para o DIAP de Aveiro a decisão do Supremo Tribunal de Justiça. A ordem não foi cumprida. No sábado passado, o Supremo esclareceu que a execução da ordem é da responsabilidade da Procuradoria mas a Procuradoria afirma que depende da direcção da investigação a Armando Vara sobre o caso Face Oculta que recai sobre o DIAP de Aveiro. À primeira vista podíamos dizer que ninguém quer tomar a responsabilidade de um acto tão irreversível como a destruição de uma informação recolhida legalmente numa investigação. Ainda mais quando se sabe que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem defende a conservação de escutas nestes casos. Mas o que parece não é sempre o que é. Para mim este é um desses casos. Quando o Procurador afirma temerariamente que por ele já tinha revelado o conteúdo das conversas está a dizer simplesmente que não pode fazer aquilo que gostaria de fazer. Quando o Supremo diz que não depende dele que as gravações sejam destruídas, está afirmar que mais não pode fazer. E agora está tudo onde começou, que é no incorruptível e sigiloso DIAP de Aveiro. Que é onde deve estar. Os métodos da Justiça podem parecer ridículos mas estão certos. São como as regras da boa educação e de respeito pelos mais velhos. Podem parecer puramente formais, mas são essenciais para que a ordem natural das coisas seja respeitado. Pela minha parte tenho a certeza de que a malta de Aveiro vai fazer o correcto. Para isso, precisavam do apoio e do conhecimento dos mais velhos. Os mais velhos sabiamente disseram: “Ó filho, faz lá o que tens a fazer”. Além de Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro terem mais que fazer que andar agora a tratar das mixórdias telefónicas de Aveiro. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
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