Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Parecendo que não, a vida cultural no nosso país está a mudar. Quando vejo um jornal como o Correio da Manhã, popular e despretensioso, a divulgar com relevo a programação da Cinemateca Portuguesa, sinto-me orgulhoso. A cultura sempre foi maltratada por todos, e em particular pelas próprias pessoas cultas. Esses maus-tratos fizeram muito mal a Portugal nas últimas décadas, incluindo quase tudo o século passado. A solução está não só nos produtores e criadores de cultura mas também na sua divulgação dos meios de comunicação social que têm um diálogo privilegiado com as pessoas normais. Aquelas que trabalham ou que estão agora desempregadas, mas não desistem de provar uma fatia do festim cultural que o mundo oferece mas do qual poucos desfrutam. É por isso que não posso deixar de aplaudir que se apregoem as iniciativas culturais, sobretudo nos meios cujo público tem uma tendência para ignorar essas actividades que fazem bem ao espírito. É preciso mexer com eles para que saibam que não há só Filipe La Féria no teatro ou Soraia Chaves como actriz fetiche no cinema de autor. Como não posso ser menos que os meus confrades do Correio da Manhã, passo também a divulgar a programação de eleição que apresenta a Cinemateca Portuguesa esta semana. Ontem passou “Behind the green door” com a lendária Marilyn Chambers. Filme de culto que não vi e que pelos vistos não verei. Amanhã temos o histórico “Garganta funda”, filme que marcou a minha adolescência e que levou uma amiga minha à dependência das pastilhas Valda mas que aconselho. Na quinta-feira este pedagógico ciclo chega ao fim com o sofisticado “O diabo no corpo de Miss Jones”, com Georgina Spelvin, agora uma respeitada dama com setenta e três anos. Este filme é talvez o mais romântico de todos os filmes pornográficos alguma vez feito. Com um final comovente e não estou a brincar. Ver Miss Jones na cela acompanhada por um homem que só se interessa por insectos voadores é desolador. Enfim, só espero que o 24 Horas e as revistas cor-de-rosa sigam o exemplo do Correio da Manhã e contribuam para divulgar mais iniciativas culturais como esta. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:05
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