Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Como muitos portugueses, não escondo o orgulho que senti quando a fragata Côrte-real foi distinguida em Londres por causa da sua participação na luta contra os piratas na Somália. Juro que só escrever esta frase me dá um certo calorzinho no baixo-ventre. Nunca imaginei poder escrever a palavra “piratas” no sentido estrito do seu significado. Já escrevi “piratas” a falar de cinema ou de bancos, banqueiros e bancários. Mas falar de piratas como piratas é uma estreia para mim. Um sonho daquela criança que sempre quis gritar “abordar!” com uma venda preta a tapar o olho esquerdo. Mas desta vez é a sério. Temos um corsário que, em nome da civilização, deu sovas nos piratas somalis. Como se ainda fosse pouco, o capitão-de-mar-e-guerra, Gonçalves Alexandre era fisicamente correcto. Uma mistura de Dick Tracy, capitão América e segunda linha dos avançados da selecção de rugby. Para a imagem de Portugal não podia haver melhor. Imaginem que o capitão da fragata tinha a cara de Vitalino Canas ou de Marco António Costa ou da deputada dos Verdes… Não teria sido tão bom em termos de marketing. Também é verdade que os piratas neutralizados pelo super-capitão Alexandre e a sua super-fragata são pouco inspiradores. É como ter um jogo entre os Pescadores da Caparica contra o Barcelona. É que os somalis são muito pobres. Os seus barquinhos parecem inocentes e indefesos. Embora a ferocidade e a ganância destes lingrinhas sejam bem conhecidas. Claro que tinha muita mais pinta que estivessem fornecidos com barcos mais mediáticos e podermos assistir a uma batalha naval à antiga. Também dava jeito que por uma questão de ironia histórica fossem loiros e ingleses. Tinha sido óptimo ter a nossa desforra com Francis Drake, Barbarruiba, Errol Flyn, Johnny Depp e todos esses piratas do caneco que nos fizeram a vida negra no século dezassete e dezoito. Tinha sido bom, tinha. Mas que seja em Londres que nos dão um prémio de bravura, tem alguma coisa de encantador. Grande fragata! Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:06
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